Tempos modernos na vida noturna

Sair à noite. Beber álcool até não poder mais. Fumar um paquete de Marlboro Gold. Acordar no dia a seguir com uma ressaca do tamanho do mundo. Postar no facebook aquela foto com os olhos meios cerrados com a hashtag que (supostamente) faz com que seja a descrição perfeita. É um ciclo normal de hoje em dia.

Sair à noite tornou-se imperial, obrigatório. Se não sais à noite provavelmente podes mesmo ser considerado um não membro da sociedade. Esta triste realidade atinge cada vez mais a camada jovem. Quem sai é “fixe” e popular, quem não sai …  Bem se não levar com “elogios” tem que se dar por bastante feliz.

Antigamente sair à noite fazia-se a partir dos dezoito anos, onde o álcool ingerido era controlado e os cigarros, só os forte se atreviam, não fosse o cheiro ficar entranhado na roupa e os pais descobrirem. As pessoas saíam com o intuito de conviver e não de (beber até) morrer.

Hoje em dias as regras são bem diferentes. A idade ideal é os 15 anos. E não se começa com uma cerveja, não, o barril inteiro tem que acabar em três tempos. A competição é ver  aquele que bebe mais.

No que toca aos cigarros, não há preferências. Tudo que der para “queimar” serve.

E a melhor parte é o outfit. Uma coisa que se foi perdendo ao longo dos anos foi a sensibilidade às estações do ano. Não há diferença entre o Verão e o Inverno, e a Primavera e o Outono já nem existem. A calça de ganga é constantemente confundida com o boxer de ganga; as túnicas  deixaram de fazer parte do armário para dar lugar aos mini-tops e os casacos, bem esses estão mesmo em vias de extinção. Mesmo que estejam menos quatro graus no exterior existe um ditado, o brio pode mais do que o frio, e há quem o siga à risca.

No meio disto tudo existe ainda a obrigatoriedade do salto alto. Hoje em dia podemos estar a um milímetro de partir o pé, podemos não conseguir andar mais rápido do que uma tartaruga no seu término de vida, mas mesmo assim, o salto alto não falha! 

E para finalizar todo este enredo, a maquilhagem. Provavelmente comprada nos piores dos saldos da Primark, em que base parece barro, e o lápis negro parece tinta da china.

Dançar passou a significar só mexer o corpo da cintura para baixo e dançar sozinho também não é opção, principalmente quando passa kizomba, que sorte que só passa 98% da noite.

Sair à noite caiu no ridículo. Desde quando sair à noite tornou-se no ridículo que é hoje em dia?! Desde quando crianças de quinze anos conseguem trocar as barbies por um copo de cerveja?! 

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