Adaptações: quando a palavra se transforma em imagem

Adaptar um livro ao grande-ecrã é um fenómeno antigo. Desde o inicio da sua história que o cinema mantém uma relação simbiótica com a literatura.


Em 1899, os lendários Irmãos Grimm passavam das palavras na página para as imagens na tela. Mais de um século depois, 6 dos 10 melhores filmes da lista do sítio online doIMDB são baseados em livros: histórias icónicas como “O Padrinho”, ou “Os Condenados de Shawshank” originaram produções vencedoras de óscares.

Nos últimos anos, quatro a sete filmes nomeados para a estatueta dourada baseiam-se em narrativas literárias. Só em 2016, nove fizeram parte da lista deste ano: filmes como “The Martian”, “The Big Short”, “Brooklyn”, “Carol” e “Room” receberam a menção da Academia.

São várias as razões que explicam estes factos. Segundo o Daily Mail, as adaptações de filmes ajudam a aumentar a venda de livros entre adolescentes.  O franchise “Os Jogos da Fome” fez as vendas de livros subirem 11 pontos percentuais no Reino Unido.  Por outro lado, alguns autores de romances, atraídos por um mercado lucrativo, apostam numa construção narrativa que seja fácil de transformar em filme.

Quando é bem realizada, a relação entre a literatura e o cinema pode ser muito lucrativa. Como relata o “The Nielsen Company”, as vendas do livro “Comer, Orar, Amar” aumentaram de forma significativa meses antes do lançamento da respetiva adaptação: 94 000 unidades vendidas numa semana, quase o mesmo valor que o ano inteiro após a publicação original.

Já Catherine Raynes, chefe de merchandise da Paper Plus – uma editora Neozelandesa – revela ao site Booksellersnz que “as livrarias podem perfeitamente tomar partido das adaptações para aumentar as vendas”. Para Catherine, tudo se deve à curiosidade do espetador: “Eu penso que isso origina do interesse nas pessoas. Querem perceber de onde vem a história do filme que foram ver ao cinema,” diz.

Nem sempre dá certo. Como qualquer outro filme de argumento original, existem adaptações que não geram lucro, e são mal recebidas pela crítica. O cheatsheet.com faz uma lista com algumas das experiências falhadas.

Apesar de tudo, livros e filmes permanecem meios distintos de fazer um ato universal: contar histórias.

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