Autor da semana: Oliver Sacks

Faleceu em agosto do ano passado, mas deixa na Terra uma longa e ilustre carreira como neurologista e escritor. Nasceu em Londres, em 1933, e ao longo da vida editou mais de uma dezena de livros. No papel, tentava capturar as mais diversas histórias.  A maioria relaciona-se com relatos dos estudos de caso dos seus pacientes.


“Awakenings” – ou “Tempo de Despertar” na tradução portuguesa – é considerado por vários críticos como a história mais pertinente de Oliver Sacks. Escrita em 1973, e adaptada ao grande ecrã 17 anos mais tarde, narra um caso marcante na vida profissional do neurologista, quando um grupo de pacientes de um hospital psiquiátrico adquirem estados de catatonia , sem causa aparente. Nos anos que se seguem, o filme torna  Oliver Sacks um nome popular na literatura científica.

Já “The Island of the Colorblind” é uma publicação mais recente. Editado em 1997, serve de continuação à longa carreira do britânico. No livro, o neurologista relata as peripécias da sua viagem até ao arquipélago da Micronésia, no coração do Oceano Pacífico. Nestas pequenas ilhas, existem doenças  hereditárias que, devido ao isolamento dos locais, persistem durante várias gerações.

Em algumas destas sociedades do Pacífico, o daltonismo é uma característica dominante. Para além disso, uma condição semelhante à doença de Parkinson afeta 48% dos habitantes de uma das ilhas. Dois casos intrigantes que Oliver Sacks descreve de forma ponderada e meticulosa, pelo que o livro  é mais do que uma análise científica destes síndromes. Acima de tudo, trata-se de uma exploração profunda e deliberada dos recursos literários do autor, capaz de transformar a realidade em ficção, com descrições metafóricas da natureza que envolve as ilhas, e dos seres humanos que nela habitam.

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