A «beleza bipolar do fogo»: entrevista a Goreti Dias

“Eu só escrevo sobre o amor, é verdade, até o ódio é falta de amor”, foi assim que Goreti Dias iniciou a apresentação da sua mais recente obra, onde explicou que o fogo que atravessa a capa da sua obra, para além de homenagear os bombeiros, também reflete as várias emoções que invadem as pessoas, como: o amor, a tristeza, a paixão e o ódio. 


A apresentação do “O Livro do Sonho, da Saudade, e da Desilusão” decorreu no salão nobre das instalações dos Bombeiros Voluntários de Ermesinde (BVE), resultado de ação solidária, para com os mesmos.

A obra relata a estória de vida, de uma pessoa amiga, que se desenvolve ao longo de três atos: O Sonho, a Saudade e a Desilusão. Regida pelo estilo poético, quase nos faz lembrar autores como: Fernando Pessoa, Florbela Espanca, e Luís Vaz de Camões.  

Porquê o nome: “O Livro do Sonho, Da Saudade, e da Desilusão?

Goreti Dias (GD) – Simplesmente por se tratar da estória de vida de uma pessoa, que passou por essas três fases. Como foi explicado, trata-se de um conto divido em três atos, em que o ato da desilusão, é o ponto final de uma vida.

“Finjo-me analfabeta, e folheio o teu prazer em perguntas sem respostas, materializados em sorrisos inacabados de uma paixão incompleta, desenhada a ferro, e a fogo nas páginas nuas da minha alma”. Poderá a profissão de bombeiro, enquadrar-se neste pequeno excerto pela missão que desempenham na vida das pessoas?

 GD – Sim, é a forma de transmitir e relacionar, o fogo que os bombeiros combatem, com o fogo descrito no poema. Tudo o que está escrito, teve por base a profissão do bombeiro, uma vez que este livro foi escrito para eles.

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Foto: Diogo Moreira.

Porquê o destaque dado ao fogo?

GD – O fogo é um elemento bipolar, pode gerar desgraça, como o incêndio que os bombeiros combatem, e alegria, como o fogo do amor. No fundo, o fogo tem um significado contraditório. Pode ser benéfico ou maléfico, mas nunca inofensivo.

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