Entrevista: Casa Damião, um novo alento

Vânia Leal, 23, terminou a licenciatura em Enfermagem na Escola Superior de Enfermagem do Porto a Julho de 2015. Durante sete meses procurou uma oportunidade na área que desde cedo a fascina. Há pouco tempo, embarcou numa aventura até à capital. Hoje trabalha na Casa Damião, uma insituição que consiste no acolhimento temporário pré e pós hospitalar de crianças entre os 6 e os 15 anos de idade,  oriundos dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa.


Considera a Enfermagem “a arte de cuidar daqueles que mais precisam”, e ambiciona acrescentar à Licenciatura em Enfermagem um Mestrado em Saúde Infantil e Pediatria. Ao infomedia, confessa que estar longe da família e dos amigos é uma tarefa dura, mas que “trabalhar” com aquelas crianças tem sido uma experiência muito rica quer a nível profissional, quer a nível pessoal.

Qual o grande objetivo da instituição Casa Damião?

Vânia Leal – No cumprimento dos seus objetivos a Casa Damião destina-se a acolher crianças e jovens doentes com fracos recursos económicos e cuidados de saúde débeis, visando a melhoria da sua qualidade de vida e procurando proporcionar a satisfação de todas as suas necessidades básicas, alimentação, vestuário, higiene e segurança.

Enquanto enfermeira, que serviço presta a essas crianças/jovens?

Vânia Leal – Enquanto enfermeira, os cuidados de saúde prestados a estas crianças e jovens passam pela vigilância contínua, nos períodos pré e pós hospitalar, assim como pela monitorização dos seus sinais vitais, gestão e administração de medicação, tratamento das feridas cirúrgica e resolução de quaisquer outras necessidades identificadas em cada criança.

Que tipo de problemas têm essas crianças/jovens?

Vânia Leal – Maioritariamente, as crianças e jovens acolhidos na Casa Damião apresentam patologias cardíacas graves, desenvolvidas essencialmente como resultado da Febre Reumática que é frequente nos países menos desenvolvidos.

Neste momento quantas crianças/jovens se encontram na Casa Damião?

Vânia Leal – Neste momento encontram-se cinco crianças na Casa Damião, com idades compreendidas entre os oito e os catorze anos, todas elas oriundas da Guiné-Bissau, país em que se sentirá provavelmente maior dificuldade no acesso aos cuidados de saúde e menor desenvolvimento dos mesmos.

Uma vez que o acolhimento é temporário, como é para si, saber que a qualquer momento uma daquelas crianças pode regressar ao seu país de origem?

Vânia Leal – Não posso negar, será difícil ver-me obrigada a cortar laços quando estas crianças voltarem ao seu país de origem. O ambiente que se vive na Casa Damião é, acima de tudo, um ambiente muito familiar, onde se partilham afetos e se criam então estes fortes laços custosos de desatar.

 

Deixa um comentário