Exagero e bathos

EXAGERO:

O exagero é uma das técnicas mais utilizadas. Trata-se de uma hipérbole aplicada à realidade, de pegar em algo extremamente vulgar e fazer disso a coisa mais extraordinária do mundo. É desfigurar proporções, alterar medidas, redimensionar o real. É importante que exista um prévio reconhecimento das situações, para se perceber que efetivamente houve um exagero. Seja este o de descrever uma pessoa alta dizendo que tem de se baixar para tocar no pico do Monte Everest, de fazer alguém tão gordo que quando mergulha numa piscina a água desaparece, ou o de fazer alguém tão rápido dizendo que demorou 5 minutos ao pé-coxinho entre Coimbra e Badajoz.

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BATHOS:

Também designado por anticlímax. É o contrário do exagero. Se o primeiro era uma hipérbole, este é um eufemismo. Trata-se de relativizar o grandioso, de tornar prosaico o erudito, de vulgarizar o raro, de reduzir o complexo à banalidade. Enfim, de não atribuir importância àquilo que, de facto, é meritório dela.  O sketch seguinte, da autoria dos Gato Fedorento, é na verdade um ótimo exemplo da aplicação constante do bathos, e também do exagero: um «matarruano» relativiza  ter caído numa armadilha para ursos e ser molestado sexualmente por três lenhadores e um urso (bathos), e só quando o filho lhe diz que foi para os escuteiros é que ele perde as estribeiras (exagero).

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