Diário de um jornalista estagiário II

O calor combinado com a minha ansiedade natural, não permitiram que eu relaxasse. Afinal, o rótulo de estagiário era muito mais que uma simples palavra, era um lema, que passei a levar a sério, até porque a minha vida profissional dependia disso.

Enquanto os meus amigos gastavam as suas energias na praia a apanhar sol, a disfrutar de umas cervejas fresquinhas enquanto apreciavam as meninas a passear no areal, eu tentava demonstrar o meu valor jornalístico.

Por vezes, sentia um ligeiro arrependimento a apoderar-se do meu cérebro, parecia que ouvia duas vozinhas irritantes a invadir a minha consciência e a reprimirem as minhas escolhas. Apesar do meu ceticismo, dei por mim perdido nas profundezas dos meus pensamentos, até que ouço uma voz a chamar-me.

Rapidamente, os meus sentidos entraram em alerta, e quando olho para a frente, deparo-me com o meu orientador, a entregar-me o meu primeiro trabalho. Os meus olhos começaram a brilhar, finalmente ia estrear-me naquele jornal. Rapidamente, iniciei uma jornada nos caminhos da investigação (sim, tive que pesquisar), para poder fazer o melhor trabalho que conseguisse. Afinal, não era todos os dias que cobríamos uma conferência.

Quando esse dia chegou, eu estava muito nervoso, olhava para o meu relógio dezenas de vezes, deslumbrava-me com a beleza do céu à espera de algum sinal dos aliens, mas nada. Julgo que o estágio já tinha sido a recompensa por defender a sua existência. Desligando-me dessas questões, muni-me da minha máquina fotográfica, gravador (telemóvel), bloco, caneta, e entrei no meu carro.

Quando lá cheguei, estava um calor infernal, e eu, pobre estagiário, estava carregado, tinha que fazer muitas coisas ao mesmo tempo, escrever, tirar fotografias e ainda gravar. Nesse momento desejei ser como os deuses budistas, e ter mais braços, mas como boa fisionomia humana que parecia ter, tive que arranjar uma alternativa.

A conferência tinha começado, e eu decidi inaugurar o meu bloco com a minha letra de médico, escrevi muito. No final, ainda tive o privilégio de poder fazer uma entrevista, afinal, tinha que usar as minhas investigações.

O meu primeiro trabalho estava semiconcluído, após apontar, gravar e fotografar, faltava apenas escrever o texto. Sim, a obra de arte de um jornalista, é sempre o seu texto, e a minha estava prestes a começar.

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