Ironia e choque

IRONIA

Ironia é uma derivação do sarcasmo que funciona de um modo muito simples: dizer o contrário daquilo que se pretende. Convém dizê-lo de modo a que o público perceba que se trata de uma ironia, pois só assim tem piada. Ou seja, o público tem de compreender a existência de um subtexto, de uma ideia que não está expressa, mas tácita, nas entrelinhas. Se eu disser que gosto tanto de mergulhar na lama pois sinto que o lodo me expugna os pecados como a alguém que se confessa a um padre, há bastante probabilidade de se perceber que, na verdade, mais depressa comia só legumes ao jantar do que me atirava para uma piscina badalhoca. 

CHOQUE

São vários os comediantes que atribuem o termo de «riso gasoso» ao som que as pessoas fazem quando se riem mesmo quando não querem, num misto de reprovação e rejúbilo. Até podem colocar a mão à frente da boca ou arregalar os olhos, em choque, mas desde que sejam acompanhados por uma gargalhada, o comediante conseguiu o seu objetivo. Esta técnica está essencialmente ligada ao chamado «humor negro». Aqui, é fundamental dominar o timing, uma vez que conjugar o choque e a polémica com o humor requer uma cera habilidade para evitar cair no gracejo «gratuito» ou mal medido. É importante, neste sentido, ter um conhecimento prévio do público-alvo de modo a que a piada choque da maneira que se pretende. Em Portugal, Rui Sinel de Cordes é o humorista mais popular a usar esta técnica:


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