Livro do dia: “Incognito” de David Eagleman

Se a mente consciente é apenas uma ínfima parte da atividade cerebral do Homem, o que anda o resto a fazer? Esta é a questão lançada pelo neurocientista e escritor norte-americano, David Eagleman em Incógnito: a vida secreta do cérebro. O livro baseia-se na exploração dos pensamentos de um neurocientista, mas não debate questões filosóficas do conflito entre cérebro e mente. Ao longo das suas páginas, o leitor irá aprender sobre a forma como a neurociência está a alterar o método de observação do mundo real.

Em “Incógnito”, David Eagleman apresenta um conjunto de ideias relevantes. Contudo, algumas podem contribuir para a distorção do método científico: o autor utiliza alguns dos truques mais básicos de escrita para fazer com que o livro apele ao leigo, como hipérboles e metáforas mundanas – que danificam a sua credibilidade. Apresenta diversos factos e curiosidades sobre o cérebro, mas raramente os desconstrói e os racionaliza. A estratégia funcionou, mas não sem danificar a relevância científica da obra.

Nas últimas décadas, tem-se assistido ao desenvolvimento acentuado da neurociência. O autor acredita que ela irá fornecer respostas valiosas. Acima de tudo, é um ramo de conhecimento que serve para fazer perceber que a consciência humana não é o centro da mente, mas sim uma rede dinâmica e com várias tarefas. O problema é que muitos dos processos mentais do Homem ainda lhe passam despercebidos. “Incógnito” é competente em explicar de forma básica todos esses fenómenos.

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Crítica do jornal “The Guardian”

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