#Desportoemsutiã com Ana Sofia Baptista

“É mais difícil para uma mulher jovem se inserir no ambiente dos treinadores”

Ana Sofia Baptista com as atletas que treina.

Tem 21 anos, é mulher, jovem e estudante da licenciatura de Comunicação Aplicada, na Universidade Lusófona do Porto. Ana Sofia Baptista pratica Andebol há quase 12 anos e aos 4 já era sócia no clube da terra. É dirigente e é treinadora da equipa de juvenis femininas do Associação Desportiva Modicus Sandim.

Num final de tarde, após um dia de aulas, esteve à conversa com o #infomedia e contou-nos da relação próxima que tem com o desporto desde pequena e falou da dificuldade que é para uma jovem integrar um clube onde os dirigentes têm já “um posto de antiguidade”, tal como nos conta. Ana Sofia fala do andebol como um desporto que só quem o pratica consegue sentir aquela magia”.

 

P: Como é que surgiu o teu interesse pelo desporto?

R: A minha família sempre esteve ligada ao desporto. O meu pai sempre praticou e sempre me inseriu muito nesse mundo. Aliás, com quatro anos era sócia com lugar cativo do clube daqui da terra. O gosto pelo andebol, em especial, surgiu através da minha prima que praticava e na altura estava na seleção nacional.

P: Que desporto praticas atualmente?

R: Neste momento não estou a praticar, por causa de uma lesão que tive. Estou a preparar-me para ver se volto na próxima época às competições. Já estou no mundo do andebol há 11 anos, quase 12.

P: Então que relação tens hoje em dia com o Andebol?

R: Apaixonada como sou pela modalidade, quando tive que parar de jogar fiquei como dirigente dos escalões de formação femininos. Mas como o “bichinho” não para de crescer dentro de mim, acabei por tirar o curso de treinadora e neste momento treino a equipa de juvenis femininas do AD Modicus Sandim.

P: Como é para ti praticar um desporto que normalmente é associado aos homens?

R: Acho que neste momento já não há desportos associados a homens ou a mulheres: há simplesmente um desporto que só quem o pratica consegue sentir aquela magia… Sendo que, apesar de nos clubes grandes não haver equipas femininas, o andebol feminino está muito mais forte do que antigamente.

P: Alguma vez sentiste algum preconceito por parte dos teus colegas por praticares andebol? Ou tiveste esse apoio?

R: Nunca senti qualquer tipo de preconceito. Aliás sempre tive muito apoio e posso dizer que é do andebol que levo as melhores recordações, as melhores amizades, o maior espírito de união e entreajuda. Agora se me perguntares se é mais difícil para uma mulher e ainda por cima da minha idade se inserir no ambiente dos treinadores, isso já é um pouco diferente. Não por discriminação, mas no meu caso porque fui inserida num ambiente com treinadores muito mais antigos e experiência, com uma formação diferente da que eu tive…

P: Então acreditas que a grande e principal dificuldade que tiveste ao te formares como treinadora foi os cargos estarem ocupados por pessoas mais velhas e não por seres uma mulher?

R: Sim, a principal dificuldade foi estar inserida num grupo de pessoas mais antigas e com outra mentalidade. Eu não tive qualquer tipo de problema em ser mulher, sendo que a realidade é que existem muito mais treinadores homens do que mulheres. Aliás, o fim-de-semana passado tive uma formação e só éramos 5 mulheres lá… Porém posso também desabafar que estou inserida num clube que sempre me conheceu, que me viu crescer. Isso tornou muito mais fácil a minha inserção.

P: Que conselho podes deixar a jovens mulheres que queiram entrar no mundo do desporto, mais concretamente no andebol?

R: Acima de tudo não desistam dos sonhos, dos objetivos. Deixem-se levar pela magia que envolve o desporto! Pode parecer uma enorme dor de cabeça, muitas horas perdidas à volta disto, mas vale muito a pena. Eu no início da época estava cheia de dúvidas e incertezas pois estava a pegar num grupo de miúdas com idades muito próximas à minha: numa fase de descoberta, de rebeldia. No entanto, é fantástico fazer parte do crescimento delas não só como atletas mas como pessoas. Nunca se deixem intimidar só porque têm uma ideia, idade ou género diferente: a vontade e o esforço é que trazem os resultados e a verdadeira realização e isso só nós próprios é que conseguimos alcançar.

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