Amor ao clube, literalmente

Há corações que batem mais forte, e não só pelos/ pelas namorados/ namoradas, mas também pelo amor ao clube. Cada um com a sua camisola torce pela equipa em campo, com cânticos a apelar a vitória. Mas, afinal, o que sente um adepto de futebol? Fomos à procura de respostas na voz de adeptos dos três maiores clubes.

Estudos feitos pelo Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde da Universidade de Coimbra comprovam que o cérebro dos adeptos de futebol mostra sinais iguais aos do amor. Há áreas cerebrais como a amígdala, o núcleo accumbens e outras zonas que libertam dopamina, uma substância química do cérebro – que tem a ver com os circuitos de memória e de recompensa. Miguel Castelo Branco, responsável por esta investigação, afirma que “são zonas que se ativam tanto mais quanto mais fervoroso é o adepto”. Nesta investigação entraram 54 homens e 2 mulheres, dos 21 aos 60 anos, adeptos do FC Porto e da Associação Académica de Coimbra. Mas será diferente com os adeptos de outras equipas? Qual é o sentimento no cenário de um dérbi? É diferente de qualquer outro jogo? O que sente cada lado da bancada?

César Silva, sportinguista, diz que “estar num dérbi é uma situação diferente” e que “[enquanto] apaixonado pelo futebol, tenho seguido o clube do meu coração por todo o lado, quer em Alvalade, quer em estádios por Portugal fora.”. Pela primeira vez, assistiu ao vivo o dérbi lisboeta. “O meu coração bateu mais forte, não havia frio nem medo das reações dos adversários e estávamos a dar tudo por tudo para ganhar. Senti o amor que tenho pelo clube no coração.”.

Rita Moreira, também sportinguista, conta que o ambiente é diferente dos jogos normais. “Devido ao cordão de segurança, temos de estar todos juntos por causa do fanatismo. Sentimos tudo mais com mais emoção”. Maria Inês Moreira, cujo coração também palpita pelo clube de Alvalade, desabafa que num dérbi “todos querem provar que são os melhores, os que gritam mais e mais alto, os que apoiam mais”. Para a adepta sportinguista, “há um conjunto de emoções que os grandes jogos despertam em nós: vontade de vencer, amor e esperança. Acima de tudo, união”.

O benfiquista Tiago Sá Pereira já perdeu a conta aos dérbis que assistiu. Mas “a sensação continua a ser igual à primeira vez: um entusiasmo fora do normal por ver o Benfica jogar”. Tiago diz que não há adrenalina que se compare à que sente neste tipo de jogos. Para ele, há uma grande “vontade de ajudar a equipa e ver demonstrado em campo que somos os melhores, o sentimento que corre em cada abraço a um amigo ou desconhecido de cada vez que marcamos um golo, enquanto cerramos os punhos, como quem demonstra que os nossos estão seguros”. E acrescenta, exaltando o seu amor independentemente de tudo, que se há algo que ele e os demais adeptos da equipa encarnada aprenderam foi que “graças a este sentimento, o Benfica pode às vezes não ganhar, mas nunca perde”.  

Cristiana Rocha, também adepta rubra, afirma que um dérbi é “um misto de emoções”  e que “a mística do Benfica é a de saber ganhar”. Assiste aos jogos com “garra, dedicação, expectativa e emoção”, torcendo “por aqueles que com honra jogam em campo”. Um amor de há muitos anos. “Desde pequena que tenho o Benfica no coração”.

Pelo clube azul e branco, Rafael Pinto declara que se sente “como se estivesse dentro das 4 linhas”. Para o adepto portista, “a garra e a adrenalina de ver o clube jogar, num estádio cheio a cantar por ele” é algo de inexplicável. “Eu quando ouço os Super Dragões fico logo arrepiado e assim que puxo pelos jogadores com eles, ainda me arrepio mais”.

Vermelho, verde, azul, preto e branco, amarelo – o amor expressa-se em diferentes cores mas, ao fim e ao cabo, é o mesmo. O sentimento pelo clube ergue-se em gritos, muitos gritos, choros, explosões de alegria, de euforia, fanatismo, e mais importante, amor. Muito amor. “Eu amo o meu clube”, dizem todos, batendo no símbolo da camisola. Quanto aos dérbis, haja coração que aguente.

 

Nota: Mais detalhes sobre o estudo, na publicação original do Público.

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