#Desportoemsutiã com Mariana Campino

“Fiz do futebol uma coisa muito importante para mim”

Mariana Campino tem 15 anos e desde pequena quis ser igual ao irmão: jogar à bola era o elo de ligação. A defesa esquerda, praticante desde os 6 anos, treina duas a três vezes por semana, e acredita que “ainda há alguma discriminação entre mulheres e homens, mas as mulheres estão cada vez mais a mostrar que o futebol não é só para homens”. Numa conversa descontraída e entre sorrisos envergonhados, contou ao #infomedia como tem sido a experiência na Selecção Nacional da qual tem um orgulho imenso. Foi na Sala de Imprensa do Ovarense Futebol Clube, instituição que atualmente representa tanto na equipa sénior, como nos juniores, que a atual campeã do Campeonato distrital Sub-18 de Aveiro nos explicou que “as mulheres devem lutar contra o preconceito e não desistir de jogar futebol pelo que ouvem”.

 

P: Como é que surgiu o teu interesse pelo desporto?

R: Desde nova, com 6 anos, que via o meu irmão a jogar à bola e também tinha interesse em jogar. Quis experimentar. Fui indo aos treinos e cada vez gostei mais. O futebol faz parte da minha vida desde muito pequena.

P: Então que relação tens hoje em dia com o Futebol?

R: Eu fiz do futebol uma coisa muito importante para mim, eu levo sempre o futebol muito a sério. Costumo treinar duas vezes por semana, às vezes três. Se por algum motivo não tivermos treino, costumo ir correr. Em termos de jogos, costumo ter dois por semana.

P: Como é para ti praticar um desporto que normalmente é associado aos homens?

R: Para mim é fácil. Fácil para mim é. Embora ache que ainda há alguma discriminação entre mulheres e homens, o futebol feminino está a crescer e as mulheres estão cada vez mais a mostrar que o futebol não é só para homens. Eu acho que aceito bem esse preconceito.

Mariana com a equipa na qual treina e onde o pai, Paulo Campino, é Presidente.

P: Alguma vez sentiste algum preconceito por parte dos teus colegas por praticares futebol? Ou tiveste esse apoio?

R: Sempre tive o apoio da minha família e dos amigos mais próximos. Mas por exemplo, eu joguei com rapazes quando era mais pequena e sentia bastante preconceito vindo das outras equipas porque eu era menina… Há sempre preconceito. Não é fácil ouvir um ‘O futebol não é para meninas’ nem coisas desse tipo.

P: Então qual foi a maior e principal dificuldade que tiveste ao entrar neste desporto?

R: Eu quando entrei tive muitas dificuldades, principalmente técnicas. Em termos de físico, apesar de os rapazes serem considerados mais fortes, eu acho que me adaptei bem. Em termos técnicos é que foi mais difícil, mas com trabalho eu consegui evoluir. O futebol feminino é muito diferente do masculino. Até aos juvenis, as raparigas ainda podem jogar com os rapazes mas neste momento, no feminino, só existem juniores (sub-18) e seniores. Isso cria dinâmicas diferentes… Hoje em dia, ainda tenho dificuldades e sempre coisas para melhorar. Mas acho que já cresci bastante.

P: Foste chamada para a Selecção Nacional. O que nos podes contar sobre essa experiência?

R: Foi uma surpresa. Eu acho que tudo isto foi fruto de muito trabalho e esforço e também por ter colegas de equipa que me ajudam muito. Sem elas, nada disto tinha acontecido. É um orgulho representar a Selecção. Tem sido muito boa esta experiência, tem-me ajudado a evoluir e permitiu-me ter mais visibilidade perante outros clubes. posto mais à vista para outros clubes. Tanto neste ano como nesta ida à Selecção, já evoluí bastante.

P: Que conselho podes deixar a jovens mulheres que queiram entrar no mundo do desporto, mais concretamente no futebol?

R: Acho que devem seguir sempre os seus sonhos, nunca devem desistir de lutar pelo que querem. Mesmo que haja preconceito, mesmo que não haja apoio da família… Porque depois vão sempre acabar por apoiar. E as pessoas devem mesmo seguir os
seus sonhos.

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