SLB e FCP, eternos rivais?

Sport Lisboa e Benfica e Futebol Clube do Porto há muito que lutam – dentro e fora das quatro linhas -, um contra o outro. Mas a rivalidade que tanto carateriza os dois clubes não “nasceu” com eles, tendo esta sido fortemente desenvolvida nas décadas de 80 e 90 do século XX.

Dias depois do clássico confronto entre a equipa encarnada e os azúis e brancos – jogo intensamente marcado pela rivalidade típica entre estes clubes –, é importante tentar desvendar o gatilho que desencadeou esta animosidade entre clube do norte e clube do sul.

As versões de onde esta surgiu são diversas e levantam-se com nomes como Ademir, Rui Águas; e jogos como o da época de 1990/ 91.

Ademir, um jovem brasileiro, que jogava no Vitória de Guimarães na época de 1987. Tanto o FC Porto como o SL Benfica disputaram o jogador. O clube azul e branco mostrou interesse primeiro, mas depois de trocas e baldrocas nas capas dos jornais, foi o Benfica que adquiriu o jogador por um montante superior ao que o Porto oferecia.

Rui Águas (filho de José Águas – um ícone do Benfica, ex-futebolista que conquistou ao clube o Bicampeonato Europeu nas épocas de 61 e 62), jogou no Benfica de 1985 a 1988 até que o Porto foi buscá-lo nas duas épocas seguintes. Regressou ao clube encarnado, no qual ficou até 1994, mas nunca mais limpou a “mancha” da traição. Ainda nos dias de hoje é confrontado com a transferência que incomodou adeptos, sócios e simpatizantes do clube.

Em entrevista ao Jornal Sol, no passado dia 1 de Abril, dia de clássico, Águas diz que as motivações que o levaram a trocar a Luz pelas Antas foram unicamente económicas. O ex-jogador viu-se como “alguém que tem 28 anos, que enquanto atleta profissional tem de ganhar dinheiro, porque as coisas não estavam tão distantes do fim quanto isso”. No clube da águia, ganhava tanto quanto alguns juniores, quando era já uma referência e um símbolo do Benfica. No Porto foi ganhar 11 vezes mais.

Assim, toda a cordialidade que existia num “pacto de cavalheiros”, pelo menos no que tocava a transferências de jogadores, havia terminado. Desde então, muitos outros jogadores foram razão de guerra entre os dois clubes. Por exemplo, Cristian “Cebola” Rodriguez e Maxi Pereira, transferidos do Benfica para o Porto.

Voltemos atrás no tempo, até ao domingo de 28 de Abril de 1991. Nas Antas, disputar-se-ia um jogo decisivo para o campeonato. SL Benfica era líder com apenas mais um ponto que o 2º classificado, o FC Porto. Era importante vencer, tanto para um clube como para o outro. A vitória foi conquistada pelos encarnados, com 2 golos de César Brito, nos minutos finais.

Mas o jogo ficou marcado não só pela partida, mas por todo o antes e depois do jogo, pleno de incidentes que agudizariam a boa convivência entre os dois clubes. O autocarro da equipa de Lisboa foi fortemente apedrejado; o balneário cheirava intensamente a bagaço, obrigando os jogadores a equiparem-se no corredor; e o árbitro do jogo, Carlos Valente, foi insultado e ameaçado por vários adeptos. Eriksson – treinador de então do Benfica – contou que, quando questionou Pinto da Costa sobre o que se estava a passar, o mesmo lhe respondeu: “Eu gosto de si mas guerra é guerra”.

Desde então e até aos dias de hoje, muitas outras situações incentivaram a discórdia, e até um ódio transcendente, entre adeptos do norte e adeptos do sul, sem que haja algum fim à vista.

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