Como (sobre)vive uma retrosaria?

As retrosarias são para muitos um lugar desconhecido. Há cada vez menos pessoas que sabem o que é. Paula Assucena de 44 anos, proprietária da Retrosaria das Flores, descreve o espaço: “A retrosaria é um local onde se vende malhas, linhas, tecidos, tudo o que há no universo têxtil. Tudo de acessórios de costura é vendido numa retrosaria, como é o casa das lãs e do algodão”.

Retrosaria das Flores. Fonte: Site online Retrosaria das Flores

São cada vez menos as retrosarias que existem espalhadas pela cidade do Porto. As que ainda resistem acabam por se adaptar aos tempos modernos com peças novas para as lojas. É o caso da Retrosaria das Flores. Os cheiros das lãs e das malhas, as texturas dos tecidos e as mais variadas cores dos botões preenchem a retrosaria que, como o nome indica, está localizada na Rua das Flores. É disto que é feita uma retrosaria. Aliás, é isto que é uma retrosaria. Um misto de acessórios de costura, desde linhas a botões, tudo passa por esta loja.

Apesar dos poucos clientes que a loja tem, a proprietária apostou numa linha de acessórios, como pulseiras, feitos à mão com materiais utilizados na costura, mais precisamente linhas e botões. É assim que pretende dinamizar a retrosaria e procurar mais clientes. “Recebemos tanto portugueses como estrangeiros, mas recebemos muito mais estrangeiros na retrosaria, porque a Rua das Flores é uma zona de muito turismo”, salienta Paula.

Ainda que haja uma vontade de inovar e fazer renascer a loja, Paula Assucena aponta um dos grandes fatores para a decadência das retrosarias. “De facto, as retrosarias estão a acabar. No Porto, a maior parte delas fecharam. Devem existir quatro ou cinco. Isto deve-se ao facto das pessoas já comprarem tudo feito. Antigamente as pessoas compravam os panos para fazer os vestidos para as filhas ou para as netas e compravam fios em croché para fazer os panos em casa. Hoje em dia as pessoas vão às lojas e compram já quase tudo feito. Não só roupa, mas também outros produtos”.

Existe uma quebra de retrosarias na cidade. A retrosaria Casa das Cordas não resistiu à mudança de hábitos dos clientes e passado 106 anos fechou as portas em 2014. Os clientes comprovam que já são poucos a irem a estes locais. Exemplo disso é Isabel Barbedo que afirma que não costuma ir a retrosarias, mas é um espaço que aprecia, “porque faz lembrar-me os meus avós, a minha mãe, ou seja, tudo o que é antigo”.

O mesmo acontece com Filipa Pereira. “Não costumo frequentar muito, mas gosto. Gosto de combinar, muitas vezes, com peças de roupa e gosto de dar o meu toque pessoal. Por acaso estou aqui agora a ver este fio dourado e estava a pensar aplicar numas calças que tenho pretas. Acho que ia ficar giro”.

É desta forma que nos dias de hoje que as retrosarias (sobre)vivem com a criatividade e originalidade de quem gere estes espaços.