“Podíamos ficar sem comer, mas o nosso filho era a prioridade no meio do caos”

Em Portugal, a elevada taxa de desemprego teve grandes consequências para os cidadãos. Muitas famílias ficaram sem emprego, sem dinheiro para comprar comida e até mesmo, sem condições de vida.

A crise económica de Portugal e a taxa de desemprego têm vindo a diminuir, no entanto, ainda há muitos casos de pessoas desempregadas (em 2016, taxa de desemprego era 11,1%) e que se encontram no limiar da pobreza. Famílias que sonham em encontrar um novo rumo, em ter uma oportunidade para mostrar aquilo que valem, e assim, reorganizar as suas vidas e talvez quem sabe voltar a ver o lado da riqueza.

Alexandra Pereira, vive em Ovar, tem 39 anos e trabalhava num fábrica de calçado, em Santa Maria da Feira e em 2008 foi despedida. A busca por um novo trabalho tem sido uma constante desde o dia do despedimento, mas até agora nenhuma porta se abriu. No entanto, Alexandra afirma que “a esperança é a última a morrer” e que ainda vai “descobrir o lado da riqueza”.

Em 2007, o marido, António Resende também foi despedido e com “um filho para criar” e sem “perspetivas de vida” foi “desesperante”. O mais complicado é “não ter dinheiro ao final do mês, ter que reduzir nas compras e na alimentação, ainda para mais com um filho pequeno”, afirma Alexandra Pereira.

O casal teve de deixar de comprar certos produtos (roupa, acessórios, decorações para casa), porque o filho estava em primeiro lugar, pois devido ao seu problema de saúde, ainda precisa de fraldas, de consultas, de exames, entre outros cuidados. “Sabíamos que tínhamos de poupar, porque tínhamos alguém que dependia de nós. Eu e o meu marido podíamos ficar sem comer um dia ou mais, mas o nosso filho nunca. Ele era a prioridade no meio do caos”.

Em 2015, o marido de Alexandra começou a trabalhar. “Foi um alívio”, confidencia, “o ano não podia ter começado melhor, senti que a vida voltou a sorrir”. No entanto, esta família está consciente que as dificuldades podem voltar, “nós temos os pés assentes na terra, não nos vamos iludir com o dinheiro, porque de um momento para o outro tudo volta à estaca zero”.

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