VIH no século XXI: ainda um desafio mundial

Segundo um estudo publicado pela revista The Lancet HIV, são diagnosticados anualmente, em todo o mundo, cerca de 2,5 milhões de novos casos de contaminação pelo o Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH). Em contrapartida, já existem novos medicamentos que, apesar de não curarem, reduzem substancialmente a taxa de mortalidade relacionada com a doença.

Existem 38,8 milhões de pessoas VIH soro positivas a usufruir destas novas tecnologias, que diminuem sua carga viral e que permitem prolongar sua longevidade, com qualidade semelhante à vida de um não portador do vírus. Em Portugal, o Serviço Nacional de Saúde gasta cerca de ¼ das suas despesas hospitalares totais em medicamentos para o tratamento de portadores do VIH (19,49 milhões de euros por mês). A Infarmed relaciona este dado com o crescimento do número de portadores, já doentes ou não, e com estratégia de dar inicio terapêutico de forma rápida, logo após a identificação do VIH.

O documento produzido pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, no fim de 2016, Portugal contava com a existência de 29.666 pessoas infetadas e diagnosticadas com o VIH, uma taxa 5% maior do que ao ano anterior na mesma época, sendo que o perfil sócio demográfico era na sua maioria de heterossexuais (54,4%), homens (72,9%), com idade média de 39 anos, sendo praticamente metade dos indivíduos residentes da área metropolitana de Lisboa (49,3%). Tais dados traduzem que embora estejamos rodeados de acesso à informação e aos métodos para prevenção da contaminação, estes ainda não são suficientes ou totalmente eficazes para a população no século XXI.

Após feita uma análise geral desta epidemia no país, a partir de 2008, verificou-se a queda de novos diagnósticos, porém, Portugal continua ser o país com uma das taxas mais elevadas da União Europeia (0,5%), sendo que a prevalência de casos na Europa varia de 0,1% a 1,2%. Os estudos revelam ainda  que as infeções associadas ao consumo de drogas diminuíram, correspondendo a 4,6% dos novos diagnósticos. Porém, há uma elevada percentagem de diagnósticos tardios, o que aponta para a ineficácia dos programas de prevenção e deteção precoce, embora Portugal faça parte das ações de diagnóstico precoce, vigilância e mudança de comportamento dos portadores do VIH, da UE.

Decorridos 30 anos da instalação do sistema de vigilância epidemiológica nacional para infeção por VIH, que tem tido um papel fundamental no auxílio na luta do vírus pelo país, observa-se que o investimento na melhoria contínua é essencial, tanto para a investigação de forma ativa, como na prevenção através da disseminação da informação entre a população, a fim de que ocorra  a diminuição do impacto da epidemia no país, por meio de estratégias atualizadas e factíveis à realidade nacional.

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