O mundo das claques

O mundo do desporto está cada vez mais ligado às pessoas e são cada vez mais os apoiantes nas diferentes modalidades. Mas há uma que se destaca, o futebol. Esta modalidade é, sem dúvida, a que arrasta um maior número de adeptos.

O elemento claque é fundamental nestes espetáculos desportivos, mas nos últimos tempos tem sido vista como um lugar de emoções à flor da pele e de alguns comportamentos um pouco excessivos. Uma adepta do Sporting Clube de Portugal (SCP) comenta “a necessidade de demonstração de superioridade uns perante os outros, leva a que muitos comportamentos sejam excessivos”. De facto, existem e já existiram diversos momentos de violência por parte das claques que provocaram algumas mortes. Como o caso dos Hooligans, muito conhecidos pelos seus atos de violência em jogos de futebol. Lembrando a Tragédia do Estádio de Heysel, na Bélgica, que ocorreu em maio de 1985, que provocou cerca de 39 mortos. Também, se pode falar quando um adepto sportinguista foi atingido por um very light que provocou a sua morte, em 1996.

 

Muitos outros episódios terríveis aconteceram, e os jogos considerados de alto risco são os que puxam mais pelos adeptos. Levando a que muitas pessoas, até tenham receio de os ver nos estádios. A mesma adepta referida anteriormente acrescenta “Enquanto adepta que gosto muito de futebol e do Sporting Clube de Portugal, tenho dificuldade em ir a jogos de grande risco porque sei que há situações graves de conflitos e não quero colocar-me em risco desnecessário.” Mas será correto associar as claques apenas a estes comportamentos mais violentos? Muitas pessoas esquecem-se que o fator claque provém do apoio incondicional à equipa e há que saber separar as águas. Os elementos destas claques seguem as suas equipas para todo o lado, já se imaginou o que seria um estádio sem aquele barulho infernal? Seria um completo sem elas? As claques têm também um papel importante no desporto, são elas que movimentam muitos adeptos, constroem as suas próprias músicas de apoio e puxam pelos restantes adeptos do recinto para apoiarem a equipa.

 

Serão apenas as claques as únicas com comportamentos excessivos?

Não é apenas a violência que faz uma claque, mas um conjunto de coisas. Nem sempre é perceptível aos olhos de todos, mas no desporto a violência provém de vários lados, e já não estamos a falar de claques mas sim de alguns elementos da força de intervenção e até mesmo jogadores. Francisco Moreira, apoiante do SCP afirma: “O comportamento das claques em jogos de alto risco é exatamente igual ao que têm em jogos de menor risco e acho que a grande dificuldade é criada pela Polícia”. Temos agora dois casos recentes de violência por ambas as partes. O jogo de dia 1 de abril de 2017, disputado entre o Benfica e o Porto no Estádio da Luz, em Lisboa, foi um “palco” de violência por parte de uma pessoa pertencente ao corpo de intervenção que agrediu um adepto aos pontapés, quando o mesmo já se encontrava imobilizado no chão. Outro dos exemplos recentes foi o jogo do Rio Tinto-Canelas, onde um jogador agrediu de forma violenta um árbitro.

Existe ainda, um facto que muitos desconhecem. Existe agora um novo cartão no mundo do futebol, o Cartão Branco. Este cartão tem como intuito promover o fair-play e premiar o comportamento dos adeptos e de todos os agentes desportivos. Tem ainda a funcionalidade de poder ser exibido mais do que uma vez durante o jogo.

Será então que as claques são unicamente elementos que causam distúrbios e violência? Ou apenas pessoas normais com emoções fortes e um verdadeiro apoio às equipas e ao mundo do desporto? 

 

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