O silêncio do Tempo

É das coisas que o ser humano mais tenta perceber e, atrevo-me a dizer, controlar. Este conceito que tanto cria sombras de incertezas e inseguranças. Este monstro que a muitos assombra, guia o dia-a-dia, faz questionar a existência de algo maior para além do que se conhece.

O tempo; o tempo eu vejo em mim. O tempo eu vejo nos que me rodeiam. Vejo-o na vida. A brevidade da vida, vejo na diminuição de cadeiras na mesa do jantar no dia de natal. A constante e interminável corrida atrás do tempo; vejo num perfeito desconhecido que se apressa atrás do comboio que o leva de um a outro destino, alheio do mundo que o rodeia. A efemeridade do tempo, vejo-a no crescimento da minha afilhada, na flor, a minha Margarida, tão inconsciente do peso do mundo; a representação mais presente do tempo que todos os dias me acompanha, sangue do meu sangue, o Pedro. O medo subjacente ao tempo, eu vejo na minha segunda mãe, o meu ponto de encontro e meu porto de abrigo, Maria Angelina.

Uma alma rica de inocência, num corpo que não para de crescer a cada fuso horário que passa por nós. Um rapaz – com quem eu brincava na areia – e hoje se tornou o homem com quem hoje discuto política; a mulher com mais de meio século de existência que carrega em si a minha noção de abrigo, de segurança, de vida;

O olhar da mãe. O sorriso do pai. Nas minhas memórias, as piadas do avô.

No silêncio da noite, enquanto lá fora o vento leva as últimas folhas do outono, a chuva enche os oceanos e comuns imortais correm contra o tempo para voltar ao seu lar, procuro explicações sobre qual é o propósito da vida.

Numa tentativa de encontrar explicações concretas, procuro no conhecimento dos livros e daqueles que se dizem entendidos, a explicação da palavra amor. Tão fácil de falar e tão difícil de perceber. Escolho renunciar à teoria e, num segundo, apercebo-me que quero acreditar que o propósito da vida e o segredo para eternidade está nas pessoas e nas memórias que deixamos nelas imprimidas.

 

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