Os jovens portugueses e os desafios da obesidade

O CENÁRIO UTÓPICO SERIA QUE TODAS AS CRIANÇAS FOSSEM NUTRIDAS, FISICAMENTE ATIVAS E SAUDÁVEIS. A REALIDADE ATUAL É BEM DIFERENTE.

O excesso de peso e a obesidade estão a atingir níveis preocupantes nas crianças, em Portugal. Dados do Sistema Europeu de Vigilância Nutricional Infantil (COSI:2008) elaborado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) indicam que: mais de 90% das crianças portuguesas consome fast-food, doces e bebem refrigerantes, pelo menos quatro vezes por semana. Menos de 1% das crianças bebe água todos os dias e só 2% ingere fruta fresca diariamente. Quase 60% das crianças vão para a escola de carro e apenas 40% participam em atividades extra-curriculares que envolvam atividade física.

O abandono da dieta mediterrânica, associado à crise económica nos países da Europa do Sul, ajudam a explicar a tendência. “Nos estudos anteriores éramos os campeões a comer fruta. Está a descer esse consumo e tem a ver com a crise económica”, comenta Margarida Gaspar de Matos – a coordenadora do estudo em Portugal – ” quanto mais pobres, menos cuidado têm (…) estão em grande risco de ficar, para sempre, com comportamentos pouco saudáveis se não forem considerados um grupo de especial foco. É preciso alertar os pais, professores e crianças para isto”.

A atividade física tende a baixar com a idade dos 11 para os 15 anos, tanto nos rapazes como nas raparigas, e sempre abaixo da média dos países do estudo”, refere o documento. A nutricionista Ana Rito – que é também investigadora principal do Estudo de Vigilância da Obesidade (COSI) em Portugal- , adiantou que nos vários estudos que têm conduzido “é na idade escolar, do 1ºciclo, onde se observa a maior prevalência da obesidade infantil. É uma idade que precede a puberdade”.

Questionado sobre o plano da Direção Geral de Saúde para reduzir a obesidade infantil no futuro, Pedro Graça, diretor do programa nacional para a promoção da alimentação saudável, estabelece algumas prioridades. “Aumentando o conhecimento das famílias sobre os riscos, facilitando as escolhas saudáveis (…), combatendo o marketing agressivo, sugerindo a reformulação de produtos de má qualidade nutricional por parte da indústria (…) ”

Sem novas tecnologias crianças comem mais devagar e percebem quando estão saciadas.”Se a criança estiver distraída não vai sinalizar que já está saciada e vai continuar a comer: “come-se mais devagar e o organismo tem tempo para fazer a sinalização”. Júlia Galhardo- investigadora portuguesa premiada por comprovar que comer devagar emagrece-, criticou ainda, a forma como as refeições decorrem nas escolas: “quem comer a sopa primeiro é que ganha. Está errado. Quem come a sopa devagar, é que deve ser premiado”.

A OBESIDADE INFANTIL ESTÁ ASSOCIADA AO DESENVOLVIMENTO DE OUTRAS DOENÇAS E PROBLEMAS SOCIAIS GRAVES

Esta condição de saúde acentua a probabilidade de desenvolver doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes, vários tipos de cancro entre outros.  De acordo com a Organização Mundial de Saúde, “a obesidade é a segunda principal causa de morte no mundo que se pode prevenir, a seguir ao tabaco.” Indivíduos que sofrem desta condição, tendem a ser sujeitas a ataques de bullying e outros tipos de discriminação, o que poderá ter consequências directas na auto-estima e na quebra no seu rendimento escolar.

Davide Carvalho, endocrinologista e presidente da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade, diz que a situação de obesidade infantil em Portugal é “muito preocupante” e é “previsível que se venha a agravar com o envelhecimento da população”.

É expectável que 30% a 50% das crianças se tornem obesas na idade adulta, sendo por isso “necessário aumentar a atividade física das crianças e que os pais reduzam o tempo que as crianças estão frente ao ecrã (…) uma criança ativa é um adulto activo”, acrescenta o presidente da SPEO.

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