Silêncio internauta: Baleia Azul

Drama, medo e culpabilização. “Baleia Azul” invadiu a internet e tornou-se assunto de conversa: é motivo de suicídio de vários jovens que “inocentemente” entraram no jogo.

A depressão não é brincadeira e não pode ser levada de ânimo leve. Não é uma fase e só o tempo não cura. Sim, é comum entre os jovens, e sendo assim não é de uma forma totalmente inocente e despercebida que estes entram neste jogo da morte. Mas a questão é: Terá um jogo e seu criador culpa?

A  verdade é que se for necessário culpabilizar alguém pelos suicídios culpe-mos então familiares, professores e amigos que, por vezes, mesmo estando ao lado dos jovens mantêm-se distanciados ao nível do foro psicológico. Talvez não seja intencional mas a verdade é que nos dias de hoje acabamos por não ter tempo para aquilo que se calhar é mais importante, e por isso não se apercebem de algumas ideias e tendências suicidas. A vontade de entrar num jogo em que o desafio final é por fim à própria vida não é uma decisão tomada sem pensar nas consequências. Quando alguém entra no jogo “Baleia Azul” já tem como principal objectivo : o desafio final, a morte. Porém, por falta de coragem, ou até, por considerar que não merece uma morte rápida e sem dor, vai fazendo uma espécie de auto tortura, auxiliado pelas ideologias e desafios do jogo.

A automutilação e os pensamentos suicidas não são uma novidade da atual sociedade. “Ninguém sabia que estava tão mal”, era a desculpa. Então,  qual é a lógica de agora culparmos um jogo? Atenção: Não é um pretexto para defender o criador e a essência do jogo que é horrível, insensível, fria, desumana e cruel. Mas como referido anteriormente, a automutilação não é de agora, já antes haviam duas versões do sucedido : ” os que só queriam atenção” e andavam a mostrar os ferimentos causados por eles mesmos; e os que o faziam em silêncio, sem ninguém saber, que escondiam os ferimentos, a angústia, e se isolavam  do mundo, criando mentalmente o seu próprio jogo da morte.

Com isto, quero pedir a cada um que possa estar a ler este artigo, para não acreditar no “está tudo bem, mas agora gostava de ficar um pouco sozinho”. Um dia é normal, dois é melhor começar a desconfiar e ao terceiro, se calhar, é melhor deixar um pouco da inocência e o egocentrismo, parar e perguntar se a pessoa precisa de ajuda. O individualismo faz parte de todos nós; existem circunstâncias em que agimos de acordo com a expressão “eu no centro”, não com o objetivo de prejudicar o outro, mas para pensar em nós mesmos, para refletir. Mas existem sempre pequenos sinais que passam despercebidos por viver-mos muito fechados no nosso próprio mundo, a tratar das nossas próprias vidas.

E chegamos então ao extremo da ignorância: aqueles que entram porque “é fixe, é moda”. Neste caso, e ao contrário do caso anteriormente apresentado, a curiosidade acaba mesmo por matar e o medo das ameaças feitas pelos imitadores do criador do jogo não deixam que os jovens possam sair de livre e espontânea vontade, tal como quando entraram.  E é aqui que faz sentido culpar o criador e os seus seguidores, por darem origem a um jogo que visa o sofrimento dos outros. E sim, o criador é um psicopata: aquele que gosta de causar dor ao outro, sem sentir qualquer tipo de remorsos ou culpa, isento de qualquer sentimento e que geralmente rejeita a vida em sociedade. 

Não podemos baixar os braços, não podemos ignorar, nem descartar o poder persuasivo do jogo “Baleia azul”, mas a cima de tudo é preciso que estejamos atentos a todos aqueles que nos rodeiam – amigos, familiares e mesmo conhecidos. Pequenos gestos podem mudar atitudes, podem mudar mentes e evitar muitos incidentes.

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