A sobrevivência através da música: Artista de rua

Despido de futilidades e pudores sociais, Daniel – de vinte seis anos- apresenta-se a prol dos ventos que cada dia traz. Artista de rua, “sem base académica”, influenciado “pelos amigos, pela sua criatividade” e por “outros artistas de rua”, este acredita que “quando uma pessoa quer, consegue”.

No seu caminho da arte musical – demonstrada nos mais diversos lugares do mundo-, é comum sentir que “depende dos dias e depende dos sítios” em que atua. A tocar na rua desde os 18/19 anos reconhece que não é fácil a vida de um performer.

O #infomedia questionou-o sobre a importância monetária no seu quotidiano – “conseguir ter sucesso monetariamente é um bocado relativo”. Dando o exemplo de outros caminhos profissionais que dependem da música e que poderia ter seguido, afirma que enquanto “na rua posso fazer 100 euros por dia, se estiver num bar posso fazer 100 euros por mês”.

Reflexo da vida inconstante de um artista de rua, Daniel considera sobre os pontos positivos e negativos da escolha. “Posso fazer 20 euros, posso fazer 2 como tenho, neste momento”, mas, segundo o mesmo, o importante é “saberes viver com o que tens”, acrescentando que “isso não significa que fiques com menos, às vezes ficas com mais”. Ainda sobre as etapas de cada artista de rua, chega a confessar que toca no verão e “não há nenhum trabalho que pague isso”, acrescenta “que só trabalhando numa orquestra ou sendo profissional conseguiria isso”. Em relação ao seu futuro, demonstra uma atitude crente, vivendo cada dia de uma forma única e sem caminho definido. “Só o futuro é que vai dizer”, declarou entre sorrisos.

Quando questionado sobre qual influência que tocar na rua teve na sua essência e na forma de ver o mundo, o artista revelou – com alguma hesitação – que aprendeu o que de outra forma talvez não fosse possível: “aprendi a lidar e perceber as gentes”. Remetendo para uma noção de marketing de rua, acrescentou que “o jogo da rua é também publicidade”, sendo que o “olhar das pessoas” e a duração do mesmo determina a forma “como cativa as pessoas”, ditando o sucesso do dia.

Confessa ao #infomedia que “cada dia é um dia”, e num tom mais humorístico: “espero que sejam mais dias bons, em que cativo as pessoas, do que outra forma” reconhecendo que se apercebe “que às vezes o barulho incomoda mais um pouco”, a partir das reações das pessoas.

“É como tudo na vida: há dias bons, dias maus, mas é fazer o que gostas. Eu gosto disto porque é uma coisa crua. Quem gosta fica, quem não gosta vai embora. Quem fica são os melhores.”, afirma.

Sendo ele um artista que depende da música para a sobrevivência, quando questionado sobre a sensibilização do público e como se descura do público que não se mostra disponível para o ouvir declara: “Consigo ultrapassar porque logo a seguir vêm outras pessoas atrás”. Contudo, reconhece que, inúmeras vezes, este é uma arte inglória já que pode estar “um dia inteiro a tocar e ganhar zero”.

Segundo Daniel, até o artista sofre a passagem das diferentes formas de ver o dia –  “uns dias estou disposto a fazer brincadeiras” e, como qualquer outro ser humano, “outras vezes estou mais envergonhado”.

 

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