Dar a César o que é de César e aos Portugueses o que é dos Portugueses

O Conselho de Ministros das Finanças da União Europeia pôs fim, nesta segunda feira, ao procedimento por défice excessivo com o qual Portugal convivia desde 2009. Quase como em reação automática todos os meios de comunicação noticiaram o facto e, no meio do alvoroço, uma questão se levantou: De quem será o mérito por esta conquista? Do atual governo? Do anterior? Quem merece ser parabenizado pelo esforço dos últimos oito anos?

O entusiasmo que se instalou levou alguns distraídos a falar num esforço do governo por diminuir o défice. É certo que um boa governação é fundamental para se alcançar uma economia próspera, mas este Portugal que agora luta para se reerguer tem muito que agradecer ao seu povo!

O Portugal que renasce e melhora agora a passos lentos deve-se aos que foram obrigados a ficar e a pagar a conta de um país violado por sucessivas governações catastrófica; deve-se a todos os que suaram para pagar altos impostos, aos que viveram com o desemprego e não desistiram deste país; deve-se ao que saíram à rua e gritaram o seu descontentamento. Temos que agradecer a todos os que não deixaram de trazer cultura para um país no qual se ouvia que “não há dinheiro para cultura”; àqueles que insistiram em acreditar que Portugal era muito maior do que a dívida.

Antes de entrar nesta ciranda de amnésia, que parece afetar os partidos políticos em Portugal , vamos dar ao povo português o que é dos Portugueses; vamos atribuir valor aos que sofreram e sofrem o peso da crise. No entanto, é importante relembrar  que ainda não é seguro dizer que acabou, há ainda muito a fazer, muito que recuperar, em passos firmes e conscientes da sua força, grandiosidade e, fundamentalmente, do seu potencial humano. É importante que nas pequenas vitórias não se esqueça do caminho percorrido: Portugal, não te esqueças  do que te deixou preso numa relação abusiva com o FMI, não te esqueças daqueles a quem confiaste o teu voto e te apunhalaram, daqueles que deixaste partir e dos que ficaram na saudade.

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