Don’t be a reason why*

Atenção: este artigo pode conter spoilers, a leitura é da sua única e total responsabilidade.

Nas escolas, nos cafés, nas ruas, todos perguntam: “Já viste 13 Reasons Why?” – e se a resposta for negativa rapidamente são apresentados inúmeros argumentos para o fazer, de como a história é incrível, por exemplo. A série que veio desmitificar temas como o bullying, a violação e o suicídio está na boca de todos os jovens que aguardam ansiosamente pela 2ª temporada.

A série baseada no livro de Jay Asher conta a história de Hannah Baker (representada por Katherine Langford) que antes de se suicidar grava 13 cassetes, nas quais explica as razões que a levaram a pôr termo à sua vida. Cada cassete é dirigida a uma pessoa e essas 13 representam as 13 razões da sua morte. E se alguns influenciaram diretamente como Justin Foley (Brandon Flynn) que criou boatos falsos sobre Hannah ou como Bryce Walker (Justin Prentice) que a violou; outros agiram indiretamente em não terem prestado atenção e auxílio como Clay Jensen (Dylan Minnette) e Mr. Porter (Derek Luke).

Mas qual é a perceção dos jovens à série e em que podem equiparar com a vida real? Foi isso mesmo que o #infomedia procurou descobrir. Em entrevista a alguns estudantes da Universidade Lusófona do Porto foram conseguidas várias declarações, mas todas coincidem numa só: o bullying é errado. Alguns destes alunos assumiram já terem estado na posição de bully, consciente ou inconscientemente, e uma aluna contou-nos a sua experiência enquanto vítima durante longos anos.

Bruna Cabral em conversa aberta com o #infomedia sobre o bullying:

Ana Alvim fala sobre a série 13 Reasons Why e analisa como uma simples palavra negativa pode mudar a vida de alguém:

Rafael Pinto nunca sofreu de bullying mas presenciou várias práticas do mesmo:

Sara Silva acredita que o bullying pode mudar a vida de uma pessoa:

Depois de ter visto a série 13 Reasons Why, Vasco Fernandes tem agora uma perspetiva diferente do que é o bullying:

Foi muito devido à série produzida por Selena Gomez que as pessoas pararam para refletir nos comportamentos que têm com os outros – às vezes um simples olhar ou uma mera palavra é capaz de ferir. Porque não sabemos, não podemos sequer imaginar, o que cada um guarda para si, com que problemas está a lidar, como está a ser o seu dia ou o que está a sentir. E se é errado praticar bullying, é igualmente errado ser um mero espectador no decorrer de um ato.

Não fiques parado, impede a continuação do mesmo. Se tiveres receio, chama alguém. Um funcionário, um outro aluno, o diretor da escola ou algum agente de autoridade. As opções são muitas, mas nenhuma delas é estares quieto e deixares acontecer. E para além do recinto escolar, não queiras também ser essa pessoa, esta não é (só) uma campanha escolar, mas uma lição de vida. Sê bom com os outros como queres que sejam para ti.

Por fim, um desabafo encontrado online de autor desconhecido:

There is a reason why series like “13 reasons why” is all people are talking today. Because it hits you in the face. You ask yourself why would people do that to her! Why did she do that to herself? Why why why nobody helped her! And then just for one second, come back to your reality and look around you… how many “Hannah Bakers” do you see? You wouldn’t know, because people are so good at pretending. They weren’t always until it became a trend to be keep a strong front no matter what. But nobody is told to be kind and mind their tongues. We are so vulnerable because we are so exposed. Our Social Media have become our profiles, our characters, and nobody seems to be worried about that. People find it much more difficult to say all the crap to your face, but they are fearless when it comes to typing on their keyboards or cellphones. They actually forget that their comments and words reach an actual person with heart and soul. We use machines, we are NOT machines. So, before you go on to worry about Hannah Baker, who is by the way a fictional character, worry more about the real people around you. Worry about the girl you call fat, worry about the boy you call gay, worry about the girl you call slut, worry about the girl you call ‘flat’, worry about the person you just called ugly, worry about being racist (because sometimes your expressions around someone also speak), worry about you being mean, worry about being the reason someone feel so worthless, so helpless, so desperate that they think life is no longer meant for them. Worry about real people, worry about you being a bully or an asshole. We all have so much going on, that even the littlest things cut you deep. Our failure as society is that we fail to acknowledge the fact that people can be hurt by little things, hurt enough to kill themselves. We fail to see beyond those perfect smiles. Look out for your people. Tell them you love them, remind them that no matter what things get better. All they need is a strong and a firm hand to pull them out of this hell hole. Love people while they are still alive. Don’t be a reason why.


Há uma razão para “13 reasons why” ser uma série que toda a gente fala hoje em dia. Porque te acerta em cheio na cara. Perguntas-te a ti próprio porque é que as pessoas fizeram aquilo com ela, porque é que ela fez aquilo com ela própria. Porque, porque, porque que a ninguém a ajudou! E só por um segundo, volta à realidade e olha à tua volta… quantas “Hannah Bakers” é que tu vês? Não saberás porque as pessoas são muito boas a fingir. Não o foram sempre até que virou tendência/ regra parecer-se forte acima de tudo. Mas não é dito a ninguém para ser-se bondoso e para ter cuidado com o que se diz. As redes sociais tornaram-se no nosso perfil, nas nossas personagens, e ninguém parece preocupar-se com isso. As pessoas têm dificuldade em dizer as coisas na cara, mas são destemidas quando o fazem através do teclado ou dos telemóveis. Esquecem-se que os comentários que fazem chegam a uma pessoa com coração e alma. Usamos máquinas, mas NÃO somos máquinas. Então, antes de te preocupares com a Hannah Baker, que é uma personagem fictícia, preocupa-te mais com as pessoas reais à tua volta. Preocupa-te com a rapariga que chamas gorda, com o rapaz que chamas gay, com a rapariga que chamas puta, com a rapariga que chamas ‘lisa’, preocupa-te com a pessoa que acabaste de chamar feia, preocupa-te se és racista (porque às vezes as tuas expressões ao lado de alguém também falam), preocupa-te se és mau, preocupa-te se és a razão para alguém se sentir tão sem valor, tão sem ajuda, tão desesperado ao ponto de pensar que já não existe motivo para viver. Preocupa-te com as pessoas reais, preocupa-te no facto de seres um bully ou um idiota. Todos nós temos muita coisa a acontecer-nos que até as pequenas coisas ferem profundamente. O nosso falhanço enquanto sociedade é que falhamos em perceber que as pessoas podem ser magoadas com as mais pequenas coisas ao ponto de se suicidarem. Falhamos em ver por trás daqueles belos sorrisos. Olha pela tua gente! Diz-lhes que os amas, lembra-lhes que independentemente de tudo as coisas irão melhorar. Tudo que eles precisam é duma mão forte e firme que os puxe daquele inferno. Ama as pessoas enquanto elas estão vivas. Não sejas uma razão para.

*Não sejas uma razão para.

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