Livraria Lello: a maior parte dos visitantes são turistas

A Livraria Lello, fundada em 1981, foi criada por José e António Lello que pretendiam criar um espaço que causasse impacto para a cidade do Porto e para os turistas. Segundo Manuel de Sousa, a ideia dos irmãos Lello era “conseguir uma nova livraria que impressiona-se. Um edifício que fosse claramente marcante para a cidade”.

O assessor de imprensa da livraria, considera que há um crescimento progressivo de turistas na Invicta, o que provoca uma série de consequências positivas. “O Porto tem hoje em dia uma avalanche turística que não tinha à meia dúzia de anos atrás. Há dez anos atrás, quase não haviam turistas no Porto. Os turistas que haviam eram acima de tudo de turismo de negócios. Os hotéis típicos no Porto estavam cheios à semana e vazios ao fim de semana”. Mas se antes iam ao Porto numa perspetiva de trabalho, desde da participação em feiras da Exponor, negócios ligados à indústria têxtil e até mesmo ao calçado, “tudo isso mudou radicalmente, na medida em que temos hoje uma cidade que é muito visitada pelo turismo e depois, mais recentemente, há a importância da Livraria Lello na obra da Jackie Rowling do Harry Potter”.

Por outro lado, os clientes habituais, “principalmente portuenses”, deixaram de frequentar o espaço com regularidade. A única forma de continuarem a vender livros passa pela atração turística. “Nós acabamos por perder os clientes tradicionais, aqueles que vinham cá comprar livros. E, por isso, fomos forçados a encontrar um modelo de desenvolvimento, ou seja, nós tínhamos de conseguir permanecer fiéis aos nossos princípios. O nosso objetivo é vender livros e queremos continuar a fazê-lo, apesar de termos muitos turistas”, revela Manuel de Sousa.

De modo a expandir o negócio, os responsáveis elaboraram um bilhete com acesso ao interior da livraria. O assessor afirma que “com a avalanche turística pensamos como poderíamos permanecer fiéis ao nosso negócio. A solução que encontramos foi de facto vender um voucher que pode ser trocado por livros. Pagam a entrada e depois dentro da livraria podem trocar o valor desse voucher que pagam na entrada por livros”.

Sousa explica que o novo modelo trouxe efeitos positivos. Porém, o valor do bilhete não constitui um obstáculo à visita. “O que nós conseguimos com isso foi de certa maneira controlar algumas entradas. Também fizemos um centro de acolhimento onde as pessoas podem deixar as suas malas, criando melhores condições de visita. E conseguimos filtrar as pessoas que estavam de facto interessadas em visitar a livraria”. Para além disto, ainda destaca o número de visitantes que aumentou. “Conseguimos aumentar muitíssimo a venda de livros. Nós triplicamos a venda de livros por semana. Vendemos cerca de 5000 livros por semana, o que dá uma média de 714 livros por dia”.

 “Atualmente, nós somos a livraria de rua que mais livros vende em Portugal. Nós vendemos 73% de todos os livros em língua espanhola em Portugal, muito para os turistas espanhóis. Temos também uma oferta alargada em inglês, francês. O que nós acabamos por vender mais são clássicos da literatura portuguesa. Obras de Eça de Queirós, Fernando Pessoa, José Saramago. De certa maneira acabamos por ser uma embaixada da cultura portuguesa junto dos estrangeiros” – Manuel de Sousa

São os “espanhóis, franceses e ingleses” que mais visitam a Livraria Lello, com idades compreendidas entre os 20 e os 45 anos.

 

 

Livraria Lello

Morada: Rua das Carmelitas, 144   4050-161 Porto, Portugal

Telefone: (+351) 22 200 2037

Horário: Segunda a sexta: 10h00 – 19h30
  Sábado e domingo: 10h00 – 19h00

E-mail: info@livrarialello.pt

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