#Noites da Queima

“Há sempre um sentimento de tristeza e nostalgia no final da Queima”

Recinto da Queima das Fitas do Porto. Foto de: Blog Low Cost Porto Experience

Enquanto nos aproximamos do final de mais um ano letivo, eis que chega aquela que, para muitos dos estudantes universitários é a melhor semana do ano. Falamos da semana da Queima das Fitas do Porto. Este evento anual tem a duração de oito noites, entre a meia-noite e as seis horas da manhã. Uma semana académica que conta com a participação de milhares de pessoas, que se deslocam até ao recinto do Queimódromo, em Matosinhos. Os preços diários variam entre os oito e os 12,5 euros, sendo que o passe semanal tem o valor de 56 euros.

Organizada pela Federação Académica do Porto (FAP) a Queima oferece dois concertos diários, uma tenda eletrónica e até carrinhos de choque para que todos se possam divertir. No entanto, aquilo que destaca a Queima do Porto de todas as outras é a existência de barraquinhas. Associações de estudantes, grupos de estudantes ou simples jovens podem alugar um espaço no recinto e “construir” a sua barraca. Existem cerca de 112 lugares disponíveis e cada uma vende bebidas e passa a sua música, na tentativa de conseguir ter um ponto de encontro entre amigos, maximizar a diversão e, até, obter algum lucro.

Miguel Pessanha (à direita da imagem) durante a semana de construção das barracas no Queimódromo.

Miguel Pessanha tem 25 anos e é Presidente da Associação de Estudantes da Universidade Fernando Pessoa. Conta-nos que é necessário praticamente um ano letivo para a preparar e planificar o evento. “A Queima e o Cortejo, apesar estarem interligados, requerem diferentes planeamentos”. O estudante finalista de Medicina Dentária conta-nos que, durante o ano, se realizam festas e eventos, com vista a se angariarem fundos. O motivo é simples: “a queima dá sempre prejuízo”. “O Cortejo é o que requer mais trabalho e tempo para ser planeado. Cerca de três meses antes, começamos a tratar do aluguer do camião. Normalmente, a decoração fica a cargo da Praxe e dos Caloiros”.

Com a aproximação da Queima, as atenções viram-se, então, para a barraca. A três semanas do início da semana académica, a Associação de Estudantes (A.E.) começa a tratar da venda dos kits doutores, finalistas e caloiros de todos os cursos. O objetivo é que não haja falhas por falta de tempo e todos os alunos interessados recebam as suas camisolas e cachecóis na semana anterior ao evento. Ao mesmo tempo que começa a tratar dos kits, a A.E. trata de fazer as modificações que querem na barraca, assim como as reabilitações e arranjos necessários. “Na semana anterior ao início da Queima, todos os alunos já têm os seus kits e a barraca já se encontra no Queimódromo”.

O Presidente da A.E. da Universidade Fernando Pessoa a pintar a barraquinha.

“É nesta semana que vemos o verdadeiro espírito académico. Os alunos juntam-se a montar e a pintar as barracas, partilham-se histórias e bebidas entre todos. Momentos que ficam para toda a vida”. Mas engana-se quem pensar que todo o trabalho acaba aqui. Durante a semana do evento, é necessário alguém que diariamente limpe e organize a barraca para uma nova noite, assim como quem trate da requisição de bebidas com a FAP. “É bastante cansativo, mas, no final, o trabalho é recompensado”.

Com o final da Queima, é necessário desmontar tudo de novo. “Há sempre um sentimento

A barraca da Fernando Pessoa – Queima 2017

de nostalgia e tristeza. Tirar tudo da barraca faz-nos pensar que é mais um ano que praticamente passou. No meu caso de finalista, há imensas caras que vou deixar de ver diariamente e essa é a parte triste. Por outro lado, lembramo-nos de alguns episódios que se passaram e esse sentimento é substituído por gargalhadas. E são estes episódios que nos fazem perceber que todo o trabalho valeu a pena”. 

Deixa um comentário