Música como combate à depressão?

A depressão é muito mais do que um simples estado de tristeza, e é de enorme importância reconhecê-la como a devastante ameaça à qualidade da vida que representa. Os seus efeitos são várias vezes silenciosos, e podem tornar-se um fardo duríssimo de suportar sem os devidos cuidados médicos. É um distúrbio que afecta a comunidade mundial a larga escala, e cada vez mais a doença é diagnosticada em idades jovens, afectando directamente áreas cruciais das suas vidas. As suas relações interpessoais podem ser colocadas em risco, e o indivíduo com este quadro clínico pode simplesmente perder a vontade ou prazer em fazer actividades que costumavam trazer felicidade.

É sob o enquadramento das possíveis formas de tratamento que o universo musical pode surgir como um cenário animador: poderá esta forma de arte constituir um método viável de combate à depressão? O #infomedia privou com a psicóloga e terapeuta Diana Sousa para receber uma perspectiva mais aprofundada sobre este tema. Numa conversa elucidativa, esta abordou várias das principais problemáticas associadas à doença, e a valência da musicoterapia como um possível suporte emocional de enorme valor para as pessoas.

Reflectindo sobre os sintomas iniciais que permitem antever o diagnóstico de um estado depressivo, afirma que o mais fácil de identificar é o chamado “choro fácil”. Explica a psicóloga que “é muito recorrente a apatia e o isolamento”, e há uma incapacidade em encontrar uma fonte de apoio, mesmo na família e nas amizades mais próximas. Quando deprimidos, é comum “termos uma visão negativa de nós e de tudo o que nos rodeia”.

É muito comum encontrar pessoas com vergonha em procurar ajuda e falar do problema, particularmente numa fase inicial. É o que a Dra. Diana corrobora: “sentimos uma desilusão, porque estamos tristes e ninguém percebe bem porquê. Se não nos compreendem, não temos tanta vontade em falar. Não vemos em nós estratégias para resolver os problemas do dia-a-dia, o que leva a que se sintam pressões maiores na faculdade ou dificuldades em se adaptar”.

O eventual receio em enveredar pela toma de medicamentos antidepressivos pode ser combatido com a escolha pela musicoterapia. No seu depoimento, a psicóloga garantiu que a mesma passa por soluções tão simples como ouvir música, fazer exercícios rítmicos básicos, “adaptar letras de músicas que gostemos à nossa realidade com vista a conseguirmos um auto-conhecimento mais profundo e uma ajuda ao combate de padrões de pensamento depressivos”. Como tal, pode representar um forte co-adjuvante dos processos de tratamento ditos convencionais.

A diversidade das sessões é um dos factores que mais pode atrair os pacientes. “Há momentos em que podemos utilizar uma música mais calma, onde o objectivo passa por proporcionar o relaxamento. Por outro lado, se queremos fazer uma sessão mais dinâmica e activa, para levantar os espíritos dos pacientes, talvez músicas alegres e vibrantes sejam mais indicadas,” explica. Outro dos seus benefícios ainda se prende com a possibilidade de ser realizada em grupo. Desse modo, pode ser encontrado um grupo de pessoas “com quem podemos contar, porque estão na mesma situação que nós e podem ajudar-nos a sair dela”.

Mas há uma pergunta importante a fazer: poderá uma música passível de ser classificada como depressiva exercer o efeito inverso àquele que a musicoterapia pretende concretizar e agravar um estado mental fragilizado? Afirma a psicóloga que depende daquilo que o indivíduo associa a cada música. O que representa uma música depressiva para uma pessoa pode não o ser para outra. Do mesmo modo, ouvir um artista com problemas dessa natureza pode nem sempre ser tão negativo como se pensa – se por um lado, “a melodia pode ser mais triste”, por outro “vemos que não estamos sozinhos no mundo e que há outra pessoa que passou pelo mesmo. Há formas de usarmos essas músicas tristes como apoio”.

A Dra. conclui  que “a música é uma linguagem universal”, e que muitas vezes “consegue falar quando não há palavras para exprimir o que sentimos”. O que mais se pretende oferecer através da música é precisamente um veículo, através do qual os jovens possam comunicar as suas dificuldades e viver todos os dias com uma maior felicidade.

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