A Violência (amorosamente) invisível : violação dos direitos humanos e discriminação de género.

A tua liberdade termina onde começa a minha ! Todos os tipos de violência exercida tratam-se de um problema social a ser travado com urgência.

A violência dentro de um relacionamento amoroso é caracterizada pelo comportamento abusivo por parte de um ou dos dois intervenientes. Existe necessidade de alertar não só para a violência física mas também para os restantes tipos de violência, por vezes camuflada. É o caso da violência psicológica e emocional, que acarreta consequenciais igualmente graves, quer sociais, quer ao nível da saúde mental. No entanto, muitas vezes não é reconhecida nem valorizada, mas é importante estarmos conscientes da sua existência.

Escrevo, testemunhando sobre o dia em que me senti privada da minha liberdade. Durante o decorrer de um relacionamento foi-me praticamente imposto que não poderia usar calças demasiado justas, as camisolas teriam de ser largas e tapar-me até ao pescoço – tudo de forma a não marcar o meu corpo e assim não atrair supostos olhares. Percebi naquele dia que algo não estaria bem. Porque deveria eu perder a minha identidade em detrimento de outra pessoa? Contudo, não passou de uma tentativa falhada, uma tentativa que vai contra todos os ideais em que acredito e que me movem.

Infelizmente, este não é o desfecho da maioria dos relacionamentos onde este tipo de privação não é reconhecido pela vítima, que acaba por desvalorizar uma atitude que é lamentavelmente aceitável socialmente. A tentativa de controlar, dominar ou perseguir o parceiro é uma forma de violência para com ele e é urgente que isto seja entendido e não tido como um comportamento normal.

A violência não olha ao género, nem tão pouco conhece barreiras económicas e sociais, pode surgir a qualquer um!

Contudo, não podemos deixar de alertar sobre a problemática da cultura de violência exercida sobre as mulheres. Em muitos países ainda é culturalmente aceitável que as mulheres sofram todos os tipos de violência, são muitas as vítimas de violência física, psicológica e sexual que nunca conheceram outra realidade. E quantos mais programas de protecção, consciencialização e sensibilização são necessários para eliminar todos os tipos de violência e descriminação? Quantas mais noticias nacionais e internacionais sobre estes casos são necessárias para que seja dada a devida atenção à violação dos direitos humanos?!

É urgente começar a pensar-se diferente, mas mais urgente ainda começar a fazer-se a diferença.                        

1 comment

  1. Maria Inês Moreira 3 Junho, 2017 at 12:18 Responder

    Esta é de facto uma problemática para a qual é preciso estar em permanente alerta! Obrigada por partilhares um pouco da tua história e por teres conseguido sair dela a bem. Beijinho e continua a escrever assim! 😀

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