Como viver com cancro aos 13 anos?

Segundo o Serviço Nacional de Saúde, a Liga Portuguesa Contra o Cancro declara que em Portugal existem “cerca de 500 mil sobreviventes de cancro e perto de 100 mil doentes em tratamento”. A doença afeta cada vez mais os jovens, mas no meio de desistências há ainda quem lute para sobreviver. É o caso de Gabriel Marques.

Gabriel Marques tem 16 anos e aos 13 foi-lhe diagnosticado um Linfoma de Burkitt. “É quando o intestino delgado entrelaça no grosso e depois a comida que nós ingerimos chega ali e não passa, o que origina as dores”, ao qual os médicos chamam “invaginação”, explica Gabriel Marques.

Após o tumor ter sido analisado no laboratório chegou a confirmação de que era maligno. Foi nesse momento que a médica foi ter ao quarto com Gabriel e com a mãe para lhes contar o que estava a acontecer. Esse momento é recordado pelo jovem como tendo “um impacto muito grande”, porque a médica disse: “pronto Gabriel, tu tens um cancro, vais ficar aqui quatro meses, no mínimo, e vamos ver se sobrevives ou não”. Naquele momento “caiu tudo”, mas só pensava que ia conseguir e que haviam crianças bem piores do que ele.

Foram quatro meses duros. “24 sob 24 horas sobre a quimioterapia mais agressiva do hospital, segundo os médicos”. Para além disto, abandonou a escola. “Na altura andava no 9ºano, mas quando saí do hospital fiz os testes e consegui acabar a escola e não reprovei”, revela Marques.

O apoio foi a palavra-chave durante o tempo que esteve no IPO, no Porto. Apesar dos momentos mais difíceis conseguiu ultrapassá-los com a grande força que esteve sempre do seu lado. “A minha mãe esteve lá comigo 24 sob 24 horas, tinha lá vestuários para tomar banho. Tomava lá banho, apesar de não ser tão higiénico, mas esteve sempre lá comigo e devo-lhe a vida por isso. É uma super mãe para mim”. Como também é um apreciador de desportos, uma vez que já jogou basquetebol e é “fanático” pelo FC Porto, o jovem de 16 anos falou com vários agentes “para proporcionar alguns momentos lá na pediatria, não só a mim mas também ao resto das crianças”. Helton e Maicon, ex jogadores do FC Porto foram duas presenças no IPO. “Só o facto de terem ido lá ao hospital… foram coisas mínimas para eles e insignificantes ou banais, mas só o facto de estar ali meia hora a conversar com pessoas que se destacam mais, as celebridades, faz toda a diferença”, confidencia Gabriel.

Mas não foram só os amigos, as celebridades e a família que estiveram presentes. Ovar, a cidade onde nasceu, também parou para apoiar Gabriel. Desde missas, caminhadas solidárias até pequenos gestos, os habitantes nunca deixaram esquecido quem estava no hospital a lutar pela vida.

Foi assim que conseguiu viver e sobreviver numa luta contra o cancro. Com 13 anos que foi “obrigado a crescer”. Foi assim que decidiu deixar um apelo a quem passar por isto. “Nunca pensar negativo, pensar sempre positivo e pensar que a vida é um jogo. Temos o início, quando nascemos, até morrermos que é o nosso objetivo. E no fim, se não tivermos objetivos e obstáculos, acho que não vale a pena. Torna-se banal estarmos aqui à face da Terra”.

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