Como é | Varizes

Como é viver com varizes?

Rosa Silva tem 57 anos e desde os 20 que as suas pernas nunca mais foram as mesmas.

Não sabe como nem porquê mas tem uma certeza: “usar minissaias está fora de questão”, confidencia.

Com a primeira gravidez notou que as varizes que já tinha nas pernas aumentaram, mas afirma que “a segunda gravidez foi a que mais proliferou os derrames e vasos sanguíneos”.

Sempre que vai a uma esteticista pede “ para ter cuidado ao colocar cera” pois tem receio que algo de mal lhe aconteça.

Diariamente não tem nenhum cuidado extra para tratar das varizes, apenas “aprendeu a conviver com elas”. Não consulta nenhum médico regularmente, só “mesmo por necessidade” pois só tem uma alternativa: “ fazer uma operação.”

Sempre que sentir as pernas mais inchadas e cansadas ou que a circulação não esteja a funcionar bem, “ faço um exame para verificar se são as varizes que me estão a proporcionar estes sintomas, chamada ecografia doppler intravenosa”, acrescenta.

Conhece muitos casos de pessoas que mesmo após terem realizado a operação, as varizes reapareceram de novo. “ Para que me vou estar a sujeitar a uma intervenção cirúrgica se não há certezas que seja definitivo? , questiona.

No entanto, tem alguns cuidados: “passo bastante protetor nas áreas que tenho os derrames e nas veias mais salientes. Opto por não colocar cera nestas áreas tão quente quanto em outros sítios, e quando me dói as pernas uso meias elásticas “,termina.

Afirma que ter varizes, raramente lhe causa transtornos no dia-a-dia “ por vezes sinto as pernas inchadas e as varizes ficam a doer, mas com descanso e levantando as pernas, fico bem.” No entanto contrapõe, explicando o que a deixa um pouco triste a nível social,“ estou sempre atenta a comprar saias e calções, que até gosto muito de usar, as saias têm de ser todas abaixo do joelho e calções nem uso, só bermudas”, completa.

“Não posso dizer que as varizes me tirar qualidade de vida, porque caminho bem e não me impedem de nada. Mas que tiram um pouco da minha felicidade e autoestima, aí isso tiram… “, desabafa.

 

O que são varizes?

As varizes são veias dilatadas e tortuosas e facilmente identificáveis por se localizarem debaixo da pele. As varizes estão englobadas na denominação Doença Venosa Crónica (DVC).

Quais são as causas das varizes?

Existem diversas causas para o aparecimento de varizes. Uma delas é fraqueza congénita ou herdada das paredes das veias, que as torna facilmente dilatáveis pela pressão natural do sangue. A exposição ao calor, o sedentarismo, permanecer muito tempo de pé e o excesso de peso são outros fatores que podem favorecer o aparecimento de varizes. O próprio processo de envelhecimento é um fator de agravamento deste problema.

As varizes são um problema frequente?

Sim. Estima-se que em Portugal cerca de 25% da população sofra de doença venosa crónica. Devido à componente hormonal e à gravidez, as mulheres sofrem mais deste problema.

Quais são os principais sintomas de doença venosa crónica?

A dor é a principal queixa, que se pode manifestar através da sensação de pernas pesadas e cansadas, cãibras, dormência e comichão. Pode ainda verificar-se inchaço, sobretudo nos tornozelos e pés, que se intensifica ao final do dia ou quando ocorre uma exposição prolongada ao calor.

Como se diagnosticam as varizes?

O médico pode detetar as varizes através da observação clínica e, para determinar o seu estádio, pode realizar-se um doppler ou eco doppler, exames não dolorosos nem invasivos que devem ser efetuados por um especialista.

As varizes podem ser graves?

Quando surgem alterações na cor e consistência da pele e esta se torna acastanhada, descamativa e endurecida, estes podem ser os sinais precursores de uma úlcera varicosa, situação clínica incapacitante, de difícil tratamento, e com impacto significativo na imagem e autoestima.

Atualmente, que tratamentos existem para a Doença Venosa Crónica?

O tratamento deve ser feito por um especialista em Angiologia/Cirurgia Vascular.

A terapêutica conservadora abrange os cuidados diários de hidratação da pele, a administração de fármacos flebotónicos (que ajudam a circulação venosa) e o uso de meias elásticas ou ligaduras.

No grupo dos tratamentos não conservadores incluem-se a escleroterapia (injeta-se uma substância que vai destruir o vaso), a laserterapia (transcutânea ou endovascular), a radiofrequência e a cirurgia clássica (“Stripping”). De acordo com cada caso, o médico fará a opção terapêutica mais adequada.

A Doença Venosa Crónica pode ser prevenida?

Para evitar o aparecimento de varizes, adote estas medidas no seu dia-a-dia:

Hidrate o corpo diariamente;

Não use calças de ganga muito justas, ligas, cintas, meias que sejam muito apertadas na zona do tornozelo ou botas apertadas;

Não esteja muito tempo de pé, parado/a. Caminhe um pouco ou ponha-se em bicos de pés várias vezes;

Evite estar muito tempo sentado e com as pernas cruzadas, especialmente se as cadeiras tiverem um rebordo duro. Movimente as pernas regularmente;

Não tome banho com água muito quente;

Evite o excesso de peso, o tabaco e as bebidas alcoólicas;

Evite a exposição prolongada ao calor. Na praia, tente caminhar à beira-mar;

Nos dias mais quentes, massaje as pernas com água fria utilizando o chuveiro, de baixo para cima, durante cerca de 2 minutos;

Consulte um especialista em Cirurgia Vascular se tiver algum destes sintomas: dor, sensação de pernas pesadas e cansadas, caibras, dormência, comichão ou inchaço que se agrava ao final do dia ou quando ocorre uma exposição prolongada ao calor.

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