#Históriasdevida: “Estou sozinha, mas muito feliz”

Angelina Barge tem 86 anos e mora na Vila de Válega, pertencente ao concelho de Ovar. A viver sozinha e de forma independente, afirma que a solidão não lhe “mete medo” e que é “feliz, mesmo não tendo alguém”.

A infância ficou marcada por “andar de um lado para o outro”. Nasceu de “uma mãe solteira” que “foi morar para o Brasil e onde “teve quatro filhos” e de um “pai casado” e que estava “na América”. Até aos 12 anos, foi criada por uma tia materna, onde confessa que não conheceu “a meninice, nem o conforto”. Depois deste período foi viver com os avós paternos, que acabaram por a “perfilhar”. Com 16 anos viu o seu pai biológico regressar da América, depois de se ter casado e nessa altura, foi “viver com ele e com a madrasta”.

Quando tinha 21 anos conheceu aquele que ia ser o homem da sua vida. Ele estava na Venezuela e quando regressou a Portugal, ouviu falar no nome de Angelina para sua “pretendente”. “Quando o vi pela primeira vez fiquei logo apaixonada”, conta. O objetivo desta mulher era “ter um homem para seguir a vida” e “ter filhos”. Com algum receio por parte da família, devido à diferença de idades, “ele tinha 35 anos”, decidiram casar. Para Angelina esse foi um dos “momentos mais felizes” da sua vida. O dia em que prometeu que “o amor” seria “para a vida toda”.

O casamento durou 36 anos e tiveram dois filhos, uma menina e um menino. Quando o marido faleceu, confidencia, que sentiu que “era o fim”. No entanto, o “pior ainda estava para vir”, o filho também morreu, deixando-lhe uma neta de 15 anos, que Angelina confessa ser “luz dos seus olhos”. Uma mulher viúva e que vive sozinha, mas que não se deixa amedrontar. “O fim da vida veio compensar-me pelo início de vida infeliz”. A razão de viver são “as netas” e “a filha”. Neste momento, garante que está “feliz”, que se sente “bem sozinha”, que não lhe “falta nada” e que não tem “medo da vida”. Angelina diz que “enquanto poder e tiver capacidades de tomar conta” de si, não quer ajuda de ninguém. Acrescentou ainda que não lhe falta “amigos” e pessoas que olham por ela e que todos os dias recebe “telefonemas da família”.

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