Senhor de Matosinhos

Eis que chegou aquela que é a primeira de várias festividades que marcam o mês de Junho em Portugal. De 12 de maio e com fim previsto para 11 de junho, o Senhor de Matosinhos abre as portas da cidade que dá nome à festividade.  A romaria que tem um orçamento de 250 mil euros espera, este ano, mais de um milhão de visitantes.

“É uma festa sem igual, uma experiência que irei sempre recordar”, é assim que Jorge Silva descreve a primeira vez que visitou o Senhor de Matosinhos. O jovem de 24 anos, natural de Fafe e estudante de Arquitetura na Faculdade de Belas-Artes na Universidade do Porto, destaca ainda a conterraneidade que os locais transmitem. “O pão com chouriço é o que mais me encantou, é mesmo bom”, realça o visitante da Feira. “O Senhor de Matosinhos é um ótimo local para passear com a família e a namorada”, conta Jorge que acredita que “um dia, irei trazer cá os meus filhos. Vim, gostei e acho que a partir deste ano serei um visitante regular”.

Fogo de artifício a 2 de junho de 2017 Crédito fotográfico: Maria Inês Moreira

“É um acontecimento importante para o concelho e para a população”, salienta o vereador da Cultura Fernando Rocha em entrevista ao Jornal de Notícias, sendo que a Câmara Municipal de Matosinhos comparticipa com 30 mil euros para a festividade, e o resto do valor investido são fundos próprios.

Emília Braga, de 48 anos, há 27 que vem a esta festa. “Não há S. João, Boavista ou Afurada que se compare ao Senhor de Matosinhos”, afirma. Ao #infomedia, conta ainda que “esta é a festa das festas, aquela que nos enche o coração porque não só podemos comprar loiça e canecas, como também há bom pão com chouriço, bifanas e cachorros… Tudo feito a lenha”. As barraquinhas de artesanato onde “podemos encontrar pulseirinhas, colares, roupa feita à mão” e ainda “malas em couro, presépios e vários bonecos artesanais” são o principal motivo que trazem a mãe de 3 filhos a esta festividade.

Fogo de artifício a 2 de junho de 2017 Crédito fotográfico: Maria Inês Moreira

Este ano, a programação contou com um concerto gratuito de José Cid que Emília “aprecia há muitos anos” e tê-lo nesta Romaria é para a licenciada em História, um “grande privilégio e emoção”. Jimmy P. atuou a 2 de junho e foram os mais jovens que marcaram presença em grande número. Grande foi também a plateia que no Sábado mais concorrido da Romaria, 3 de junho, assistiu ao tão aguardado fogo de artifício.

Em 2017, a organização prometia novidades que em mais nenhuma outra festividade se encontrava, em Portugal e até à data: quatro drones largariam uma torrente de fogo prateado, aliando-se aos restantes efeitos pirotécnicos. Isso teria sido possível se a Polícia de Segurança Pública (PSP) não considerasse que a utilização dos drones não tinha ainda enquadramento legal. Mas se a PSP não autorizou ou drones, a organização presenteou os visitantes

Multidão que assistiu ao fogo de artifício a 2 de junho de 2017 Crédito fotográfico: Maria Inês Moreira

com tecnologia LED na iluminação, proporcionando assim uma decoração noturna em movimento e mutação.

“As diversões são o que mais emoção dá ao Senhor de Matosinhos”, conta Francisco Braga ao #infomedia. O jovem de 16 anos recorda que vem “a esta festa desde pequeno, aliás, desde que me lembro” e por isso sente que esta festa tem um sabor especial. Além das farturas e da conventual doçaria, o Senhor de Matosinhos é caracterizado pela vasta área que disponibiliza para os carrosséis. 2017 foi também um ano de controvérsia e conflito nas diversões – a Santa Casa da Misericórdia de Matosinhos reclama 50% das receitas da instalação dos equipamentos instalados num terreno seu. De salientar que é a primeira vez que tal exigência foi feita e que a Instituição sempre cedeu gratuitamente o espaço.

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