Catherine Maia convida os sobreviventes das bombas atómicas a darem o testemunho

por Andreia Resende e Sara Oliveira

A 10ª conferência sobre “As armas nucleares: consequências humanitárias e desarmamento”, ocorreu no dia 18 de maio de 2017, na sala de atos da Universidade Lusófona do Porto. Teve como moderadora Catherine Maia e deu voz a Jean-Marie Colin, diretor do PNND (parlamentares para a não proliferação e o desarmamento nuclear), Seiichiro Mise (sobrevivente de Nagasaki) e Kazumi Tsuchida (sobrevivente de Hiroshima).

A Peace Boat é uma ONG internacional que tem trabalhado desde 1983 para promover a paz e sustentabilidade através da organização de viagens de paz a bordo de um cruzeiro. O símbolo deste projeto é um origami, tradicional símbolo japonês que representa a paz e esperança. Desde 2008 a Peace Boat convidou alguns sobreviventes das bombas atómicas de Hiroshima e Nagasaki para participarem na conferência “Global Voyage for a Nuclear-Free World: Peace Boat Hibakusha Project”. O lema desta viagem é não repetir o mal, a sociedade civil precisa proibir as armas nucleares. As vozes de Hiroshima e Nagasaki estão agora ligadas às regras globais.

Os objetivos dos hibakusha, sobreviventes da explosão nuclear, passam por testemunhar o que aconteceu em Hiroshima e Nagasaki, no ano de 1945, contar os efeitos que as bombas nucleares tiveram na saúde e na sociedade e fazer um alerta para o fim do uso de bombas atómicas.

Seiichiro Mise e Kazumi Tsuchida – sobreviventes das bombas atómicas Créditos fotográficos: Sara Oliveira

Seiichiro Mise tem 82 anos e foi um dos sobreviventes da bomba atómica de Nagasaki quando tinha 10 anos. “Tenho medo de ter cancro”, confessa Mise. Um segundo bastou para que a casa, que ficava a 3.6km do epicentro da explosão, ficasse completamente destruída. Tudo começou quando uma chuva negra caiu. Os efeitos da radioatividade foram percetíveis, não só nas pessoas a fugir com “queimaduras nos pés”, mas também nas gerações vindouras. É desta forma que o problema do cancro assusta os hibakusha, nomeadamente o “cancro de pele e cancro dos pulmões”.  

Kazumi Tsuchida tem 76 anos e foi uma das sobreviventes da explosão nuclear de Hiroshima quando tinha 4 anos. Apesar de já terem passado 72 anos, após o rebentamento da bomba, ainda há um sofrimento que não foi recuperado.  Este foi agravado pelo facto do pai ter falecido de 35 dias da explosão. Há muitos conflitos no mundo e por isso, é necessário acabar com as armas nucleares, pois “se amam alguém não podem deixar que existam armas nucleares”.

Estes dois sobreviventes apelam para que os governos acabem com a comercialização de bombas atómicas e para que estas sejam destruídas/proibidas. Seiichiro Mise e Kazumi Tsuchida têm esperança que seja “possível haver paz sem armas nucleares”.

Na altura em que ocorreu a explosão, o governo japonês não deu apoio, uma vez que o Japão “estava numa grande confusão”. Mas nos dias de hoje apoia na saúde, nomeadamente exames médicos e internamentos.

 

Quem apoia:

  • Cidade de Hiroshima
  • Cidade de Nagasaki
  • Perfeitos pela paz
  • Confederação japonesa dos sobreviventes das bombas atómicas
  • Fundação da cultura e da paz de Hiroshima
  • Fundação para a promoção da paz de Nagasaki

Mais informações:

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