Universidade Lusófona do Porto recebeu sobreviventes de Hiroshima e Nagasaki

Por Rita Silva, Filipa Coelho e Esther Egea

No dia 18 de Maio, a Universidade Lusófona do Porto recebeu dois testemunhos de sobreviventes das explosões atómicas de Hiroshima e Nagasaki. Mise Seiichiro e Tsuchida Kazumi falaram das consequências humanitárias das armas nucleares e o seu desarmamento.

Ambos os “hibakusha”, palavra japonesa que define “pessoas afetadas por explosões”, explicaram, traduzidos pelo arquiteto japonês Ren Ito, que “nenhum tipo de paz é construído com bombas”.

Mas então, o que são armas nucleares?

Armas nucleares são dispositivos explosivos, utilizados principalmente por militares, que libertam energia nuclear em grande escala. Têm na sua base radioatividade – uma propriedade de certos elementos químicos que emitem partículas ou radiação eletromagnética como resultado da instabilidade dos seus núcleos. O que torna estas armas especiais é a enorme concentração de energia em pequenos volumes, que ao ser libertada causa efeitos devastadores.

Estas armas são de dois tipos básicos: a bomba atómica ou a bomba de hidrogénio (bomba H). A bomba atómica baseia-se na fixação de núcleos atómicos, num processo que consiste em “quebrar” núcleos de átomos pesados e instáveis, lançando contra eles partículas atómicas chamadas de neutrões. Já a bomba H traduz-se na fusão de núcleos de átomos leves, como o hidrogénio.

Efeitos Térmicos

As temperaturas altíssimas alcançadas por uma explosão nuclear são resultado da formação de uma massa de gás incandescente muito quente, chamada bola de fogo. A radiação térmica provoca queimaduras na pele e incêndios em materiais inflamáveis secos, como papel e alguns tecidos.

Radioatividade

Existem dois tipos de radiação nuclear provocadas por uma explosão: a radiação instantânea e a radiação residual. A radiação instantânea consiste na propagação de neutrões e raios gama numa zona de vários quilómetros quadrados. Os efeitos dos raios gama são idênticos aos dos raios X. A radiação residual pode ser um perigo em zonas afastadas, que nem tenham sofrido qualquer dos outros efeitos da explosão. Os produtos inflamáveis geram nos restos da bomba uma radioatividade permanente.

Efeitos Climáticos

Além dos danos causados pela onda de expansão e pela radiação, uma guerra nuclear em grande escala teria um efeito catastrófico sobre o clima mundial, o que poderia significar o fim da civilização humana.

 

Bomba Atómica em Hiroshima

A cidade de Hiroshima, no Japão, foi alvo de um dos maiores terrores da história. Uma bomba atómica caiu, no dia 6 de Agosto de 1945, na cidade destruindo uma grande parte dela e provocando milhares de mortes.

Na época do bombardeamento, a cidade de Hiroshima era conhecida como sendo uma das mais importantes do Japão, devido ao seu grande poderio industrial e militar. Também era conhecida como um grande centro de comunicações e tinha como ponto forte a sua localização para o transporte marítimo. Era ainda, uma área que servia para a reunião das tropas.

Depois de Kioto, esta cidade era conhecida como a segunda maior do Japão. A sua população era de aproximadamente 381 mil habitantes antes do início da guerra, mas foi diminuindo devido aos constantes pedidos por parte do governo japonês para a evacuação da cidade.

Com o início da guerra, em 1939, o mundo encontrava-se dividido em duas grandes potências. De um lado, os Aliados que eram constituídos pelo Reino Unido, União Soviética e Estados Unidos e por outro lado, as Potências de Eixo constituídas pela Alemanha, Japão e Itália.

Com o decorrer da Segunda Guerra Mundial, iniciada em 1939 até 1945, os conflitos entre estas potências foram-se agravando, principalmente entre países como os Estados Unidos da América e o Japão.

Foi então, que o terror aconteceu. A 6 de Agosto de 1945, pelas 8 horas e 15 minutos no horário local, foi lançada na cidade de Hiroshima uma bomba atómica de urânio, a mando do governo dos EUA. Esta bomba teria sido lançada com o intuito de o Japão se render perante os Estados Unidos, e assim por fim à Segunda Guerra Mundial.

A bomba lançada sobre esta cidade tinha o nome de “Little Boy” e pesava cerca de 64 kg. Foi transportada numa viagem de cerca de 6 horas até ao Japão, num avião B-29 Enola Gay, pelo piloto Tibbets.

Após o lançamento da bomba, esta falhou o seu principal alvo, a Ponte Aioi, e foi cair diretamente no Hospital Shima. Teve um raio de destruição total de cerca de 1,6 quilómetros, provocando também alguns incêndios pelo caminho.

Este acontecimento causou a morte de cerca de 140 mil pessoas, entre as quais estavam também muitos militares. As causas da morte deveram-se a: queimaduras, envenenamento radioativo e a outras lesões provocadas por efeitos de radiação.

Foi o único momento da história onde estas armas foram usadas contra civis inocentes.

Mas apesar de tudo isto, os japoneses não se renderam.

 

Bomba atómica de Nagasaki

Durante a manhã do dia 9 de Agosto do ano de 1945, os Estados Unidos lançaram uma bomba atómica sobre a cidade japonesa de Nagasaki. O objetivo principal das tropas estadunidenses era a cidade de Niigata, depois mudou para a chamada Kokura, mas o destino final não foi esse. A bomba atómica que levavam a bordo do avião B-29 Bock´s Car foi batizada de “FatMan” e foi a causadora de uma multidão de vítimas.

A razão principal porque Charles W. Sweeney, o piloto do avião estadunidense não lançou a bomba sobre Kokura, deveu-se às más condições climatológicas. A densa névoa ocasionou muitos problemas de visibilidade que fizeram com que o centro de Nagasaki fosse vítima. Passados seis dias do impacto, o Japão assumiu derrota no dia 2 de Setembro do ano de 1945, dando a vitória à potência estadunidense.

A bomba arrebentada foi mais potente que a lançada perto de Hiroshima. Apesar de que a bomba falhou por uma distância considerável, não perdoando e arrasando quase metade da cidade. Mais de 30 mil pessoas morreram neste ato, e muitas pelos ferimentos e lesões ocasionadas pela radiação.

Muitas pessoas sofreram as consequências da bomba, sofreram queimaduras por quase todo o corpo, outros perderam a visão, mas o mais preocupante eram as consequências que se manifestavam em algumas vítimas a longo prazo, que podiam tardar-se em manifestar-se semanas ou meses e tinham uma gravidade importante.

1 comment

  1. O 11 Julho, 2017 at 18:02 Responder

    A conferência que decorreu dia 18 de maio de 2017 na Universidade Lusófona do Porto sobre “As armas nucleares: consequências humanitárias e desarmamento” foi organizada pela Professora Doutora Catherine Maia, em coordenação com a ONG Peace Boat.

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