“Sou voluntária de coração”

O Centro de Dia da Liga Portuguesa Contra o Cancro enche-se de voluntários. Entre os novos e os mais velhos, o papel primordial passa pela ajuda aos utentes. Tudo para que estes se sintam em casa, capazes de enfrentar o dia a dia com um sorriso no rosto.

Se o centro de dia não era possível sem voluntários é graças a pessoas como Cidália Cunha. Tem 65 anos, iniciou o seu voluntariado há sete, “aqui no Centro de dia, que é uma coisa que eu adoro”.  Tudo começou quando Cidália Cunha deixou de trabalhar , “porque reformei-me e fiquei com tempo disponível para dar o meu contributo mais personalizado e ajudar as pessoas”.

Nunca mais esqueceu o seu primeiro dia quando teve de “enfrentar” o coordenador que por sinal era inglês e “eu como não percebia nada de inglês disse-lhe que sim a tudo, mas foi muito fácil de me adaptar”. Aos poucos começou a conhecer os utentes que por ali passavam um a um, “sempre com vontade de poder dar mais um dia ao Centro de Dia”.

Nunca quis escolher outro hospital para ser voluntária. “Para mim era o Instituto Português de Oncologia do Porto (IPO) e não era mais nada, outro hospital não me diz nada”. Assim iniciou o seu percurso durante três anos no Centro de dia e depois foi para o Acolhimento, “a lavar cabeças, a fazer maquiagens, a pintar as unhas”, nunca esquecendo as tardes em que fica “nas minhas brincadeiras com as nossas utentes”.

Desde pequena sempre teve o bichinho do voluntariado. Algo que sempre gostou e “se me perguntarem porque sou voluntária, não sei explicar… é de paixão”.

As perdas são inevitáveis e Cidália Cunha conta com pelo menos quatro histórias que a marcaram muito, “porque apesar de voluntários somos humanos, nem sempre somos aquela fortaleza que parecemos ser e quando realmente perdemos alguém daqui, principalmente do Centro de Dia, que é com quem temos uma ligação mais forte, isso mexe muito connosco”. Mas afirma que tem de pensar em quem cá fica e não mostrar tristeza, porque “há tanta coisa que podemos fazer pelo nosso doente e saio daqui mais gratificada do que quando cá chego”.

Muitas vezes, os utentes chegam ao Centro de Dia numa fase de rejeição e é aqui que o papel dos voluntários se afirma. “Se eu pergunto ‘posso ajudar?, posso ser útil?’ e o doente diz-me ‘eu não lhe pedi nada’, agradeço e retiro-me. Passado uns segundo vejo o doente perdido, volto novamente e pergunto ‘posso ajudar?’, ‘pode, pode’ e pronto já aceitou”. Cunha considera fundamental respeitar a vontade do utente, mesmo que ele não queria falar.

A voluntária deixa ainda um conselho aos novos voluntários: “conheçam bem o doente e depois a partir daí eles podem fazer aquilo que entenderem”.

Emocionada e com um amor interminável por aquilo que faz, é no Centro de Dia que se sente realizada. “Quando eu faço o meu gráfico de voluntária, eu faço rápido, faço uma pirâmide e ponho um coração no meio, porque eu sou uma voluntária mesmo de coração”.

 

Mais informações:
Centro de Dia
Núcleo Regional do Norte da
Liga Portuguesa Contra o Cancro 
Telefone: 225 027 391
(extensão 1258 ou 1259)
E-mail: centrodia.nrnorte@ligacontracancro.pt
Horário: 2ª a 6ª feira das 08:30h às 17h
Morada: Rua Dr. António Bernardino de Almeida
4200-072 PORTO
Situado no edifício da Unidade de Cuidados Continuados da Liga Portuguesa Contra o Cancro no Instituto Português de Oncologia do Porto.