Marijuana: como é utilizada para tratamento de doenças

Há seis mil anos, o antigo texto medicinal chinês Pen Ts’ao Ching já tinha indicações do uso da planta da marijuana para combater problemas como asma, cólicas menstruais e inflamações da pele. Porém, foi somente em 1964 que o pesquisador Raphael Mechoulan, da Universidade de Tel Aviv em Israel, extraiu da Cannabis sativa (nome cientifico da planta marijuana) – uma substância denominada delta-9-tetraidrocanabinol, sendo o THC (tetrahidrocanabinol), o principal responsável pelos efeitos psicoaticoativos da erva no organismo.

Ao sintetizar o THC, Mechoulan possibilitou, pela primeira vez, a observação e o estudo sistemático das suas ações terapêuticas no corpo humano. Desde então muitas pesquisas científicas foram realizadas com o objetivo de desvincular o poder curativo da planta do efeito que altera a perceção das pessoas. O THC age com recetores de endocanabinoide do cérebro, provocando no usuário uma redução da ansiedade e da dor, mas também uma alteração da consciência, e estabelece por isso, opiniões contra o uso medicinal, uma vez que parte da comunidade médica desaprova esse efeito que esta droga possui.

Podemos ter exemplos da ação terapêutica do THC e do canabinoide (composto presente na canábis) em diversas doenças, como para os portadores de SIDA, em que a marijuana estimula o apetite, importante para ajudar a recuperar o peso e prolongar a vida do indivíduo soropositivo. Já a quimioterapia causa fortes enjoos aos pacientes com cancro e as medicações existentes para redução desse sintoma muitas vezes são ineficazes; ao tratar com marijuana, os enjoos e náuseas são aliviados.  A erva também é considerada um analgésico e pode ser usada para dores agudas, alivia espasmos musculares da esclerose múltipla e mau funcionamento dos intestinos e da bexiga, que são características dessa doença, além da diminuição da pressão intraocular em caso de glaucoma, doenças inflamatórias e doenças dermatológicas.

Em alguns países como Estados Unidos, Argentina, Bangladesh, Canadá, Chile, Países Baixos e Peru, o método de administração da droga, para fins medicinais, é legalmente comercializado pelas industrias farmacêuticas de diversas formas: o paciente com câncer toma um comprimido antes da quimioterapia (administrada geralmente de 15 em 15 dias) e outro no dia seguinte; os portadores de SIDA tomam uma cápsula, meia hora antes de cada refeição; em cigarro, os pacientes fumam o quanto acham conveniente para controlar seus sintomas de glaucoma e da esclerose, o efeito aparece entre 10 e 15 minutos depois de tragar e dura uma ou duas horas. Supositórios e tabletes para mascar são alternativas mais eficientes do que a cápsula ou mais aceitáveis do que o cigarro.

Em Portugal, atualmente, está  autorizado pelo Infarmed (Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, I. P.) somente um medicamento com extratos de canábis. Trata-se de um spray bucal com indicação para o tratamento da rigidez muscular na esclerose múltipla, somente quando outros tipos de medicações não surtem efeitos.

Assim, embora com muitas possibilidades de utilizações medicinais, um grande esforço terá que ser feito para diminuir o estigma que a Marijuana carrega. Políticas e leis claras e definidas deverão ser construídas para que indivíduos com patologias que tenham benefícios comprovados com a droga possam fazê-lo de forma segura e socialmente aceite.

Fontes: Academia Nacional de Ciências, Engenharia e Medicina; Infarmed.

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