O ADEUS A SIMONE VEIL

Na passada sexta-feira foi anunciado ao mundo a morte de Simone Veil. Conhecida como a primeira mulher a presidir o Parlamento Europeu, e a autora da lei da interrupção voluntária da gravidez em França, a ex-ministra faleceu aos 89 anos. Segundo anunciou à agência France-Press o filho, Jean Veil, – “A minha mãe morreu esta manhã em casa. Ia fazer 90 anos no próximo dia 13 de julho.”

Simone nasceu a 13 de julho de 1927, em Nice, no sudeste de França, descendente de uma família judia e laica. Uma das grandes figuras políticas francesas, foi uma sobrevivente aos campos de concentração durante a II Guerra Mundial, para onde foi enviada apenas com 16 anos, juntamente com a sua família. O seu pai e o seu irmão, Jean, para a Lituânia, uma das irmãs foi presa em Ravensbruck, e a própria Simone, a sua mãe e uma segunda irmã viram-se deportadas para Auschwitz. Um dia, mais tarde, sobre os campos de concentração, Simone afirmou:

Entre todas as consequências físicas e morais da deportação, uma das mais difíceis foi a humilhação. A humilhação até ao mais fundo de nós próprios…

No pós-guerra, em 1946, conheceu aquele que viria a ser o seu marido e presidente da companhia aérea francesa UTA, Antoine Veil, com quem se casou e teve três filhos. Antoine Veil faleceu em abril de 2013.

Em 1956, a Magistrada entrou para a administração penitenciária francesa, onde ficou encarregue das questões relacionadas com as adoções. Mais tarde, em 1974, entrou para o ramo da política como ministra da Saúde no Governo de Jacques Chirac, no qual, contra grande parte da direita francesa, defendeu um projeto de lei que despenalizou a interrupção voluntária da gravidez em França.

Ainda em 1974, Simone foi eleita presidente do Parlamento Europeu, onde se manteve até 1982. Dois anos mais tarde, e até 1989, liderou o Grupo Liberal e Democrático do Parlamento Europeu. Voltou à política francesa em 1993, assumindo as funções de ministra de Estado e da Segurança Social, Saúde e Cidades. Em 1997 tornou-se presidente do Conselho de Integração, assumindo, no ano seguinte, um lugar no Conselho Constitucional, onde se manteve até 2007, ano em que apoia Nicolas Sarkozy, então candidato à presidência francesa.

O presidente francês, Emmanuel Macron, dirigiou-se à família de Simone e enviou as suas condolências através do Twitter, desejando que o exemplo de Simone Veil “possa inspirar os compatriotas, que nela encontram o melhor de França.”

No nosso país, a morte de Simone também não passou em branco. O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa recorda a ex-ministra como um “espírito livre” e uma “visionária de uma União Europeia ambiciosa e generosa.”

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