Violência dentro e fora de campo: onde vai acabar isto?

O futebol move multidões e desperta as emoções e paixões daqueles que com ele vibram, mas assim como nos aproxima, rapidamente nos afasta uns dos outros. Espanta-me a ignorância daqueles que libertam as frustrações da vida em espectáculos desportivos. Manifestações de ódio, ofensas à integridade física e psicológica. Onde ficou a cidadania e a dignidade humana ?

Infelizmente, foi socialmente incutido que o futebol é um desporto de violência e de rivalidade. É no futebol que a violência se manifesta com maior frequência, está intrínseca à modalidade,  portanto trata-se de um fenómeno social.  Um dado muito importante é que se trata de um desporto que cativa muitas crianças, muitas vezes expostas a casos de violência nos próprios recintos desportivos que frequentam. Ainda mais preocupante é quando muitas vezes são os pais, os protagonistas dos desacatos. Quais as consequências desta exposição na vida destas crianças? É importante reflectir!

Medidas urgentes devem ser tomadas, tanto na violência de bancada, como na violência gerada pelos próprios intervenientes do jogo. Os casos de violência contra árbitros apresenta números igualmente alarmantes. Torna-se assim uma profissão de risco. Os casos de agressão, intimidação e insultos a juízes multiplicam-se e infelizmente são muitos os casos que não são do conhecimento público. Tratam-se de profissionais a desempenhar o seu trabalho, assim como poderia ser desempenhado por um desconhecido, também poderá ser uma profissão escolhida por um amigo ou parente. E se tu quisesses ser árbitro ? Como é que a irracionalidade humana nos impede de colocar no lugar do outro ?

É importante que exista respeito, comunicação e empatia. Empatia trata-se da capacidade de nos colocar no lugar do outro e é chave para viver numa comunidade isenta de violência e exclusão.  Nos casos de pressão e incitação de violência a árbitros, a culpa passa por todos, desde aqueles que provocam, intimidam e agridem, aos que deveriam garantir a segurança dos profissionais e até mesmo a comunicação social que faz um aproveitamento muitas vezes sanguinário das decisões realizadas pelo juiz do jogo. O conhecimento da maioria de agressões ocorre em jogos de futebol de formação distrital, portanto, muitos dos árbitros agredidos chegam a ser menores de idade.

Como prevenir a violência no futebol ? Não podemos falar apenas em policiamento,  que deveria ser obrigatório , mas em reeducação social, respeito pelo outro, empatia e comunicação!

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