Violência no Namoro: Como se processa?

A violência no namoro está cada vez mais presente na sociedade em vivemos.

O número de vítimas de violência no namoro tem vindo a aumentar ao longo dos anos. Segundo o Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses, entre 2014 e 2016, os números sinalizados de vítimas aumentaram 60% em 3 anos.

Tudo começa como uma relação tranquila entre jovens adolescentes, só com o passar do tempo é que as coisas vão mudando. Os atos de violência começam e vão-se intensificando com o passar dos dias. Um dos fatores que faz com que a vítima se mantenha com o agressor é o facto de achar que foi a primeira e a última vez. Daniel Cotrim, psicólogo, conta ao Diário de Notícias, que para além dos jovens desculpabilizarem este ato, também a sua privacidade é muitas vezes violada: “constatamos através de denúncias e das ações de sensibilização não haver limites à privacidade, a facilidade com que eles e elas deixam que outros acedam aos seus e-mails e Facebook, com que se trocam passwords”.

Mas esta não é a única razão que leva a estes atos violentos. Outros motivos são os ciúmes excessivos, que fazem com que o agressor proíba até a vítima de falar com amigos ou até mesmo amigas, a recusa de relações sexuais que levam aos abusos, as perturbações psicológicas que o agressor possa ter e o álcool e as drogas.

A violência pode ser caracterizada em 3 parâmetros: a violência sexual, física e psicológica. Segundo um estudo apresentado pela UMAR (União de Mulheres Alternativa e Resposta), em relação à violência por via sexual, cerca de 32, 5% dos rapazes dizem ser normal que se force as atividades sexuais, ao mesmo tempo que 4,5% assumem terem sido vítimas destes comportamentos por parte do parceiro (comportamentos sexuais definidos como violentos). A violência física é a menos tolerada pelos jovens, mas só apenas 5% das vítimas assumem ter sofrido estas agressões. Finalmente, a nível psicológico só 8,5% afirmam ter sido vítimas.

É possível identificar que uma pessoa sofre agressões através de: maus tratos físicos e psicológicos, abusos sexuais, intimidações, humilhações, pela forma de estar, etc. As vítimas que estão sob esta “pressão” sentem-se: assustadas, sozinhas, envergonhadas, culpadas, desconfiadas, inseguras, confusas, tristes, ansiosas.

O psicólogo ainda diz ao Diário de Notícias, que “As raparigas são mais agredidas violentamente que os rapazes, mas elas também utilizam a violência física”. Partilha ainda que encontrou casos de vítimas entre os 14 e os 17 anos, cada vez mais cedo esta violência se faz sentir nos relacionamentos destes jovens adolescentes.

Hoje em dia, muitas associações como a APAV e a UMAR criam campanhas de apoio às vítimas e deixam os números das suas linhas de apoio. As chamadas são gratuitas e em muitos casos ajudam a salvar uma vida.

É importante que todos ajudem a combater este crime público.

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