A Eterna Insatisfação Provocada pela Solidão

O meu Testemunho 

Pára, escuta e lê. O mundo não é um local assustador onde precises constantemente de te proteger numa bolha invisível impermeável que te impede de seres feliz. O que sentes é bem comum, podes pensar que neste momento nada é solução e que a tua vida é uma espiral recessiva, mas isso pode não ser verdade.

Ainda te lembras dos tempos em que eras feliz? Ainda te recordas da tua inocência que te impedia de pensar na maldade a que estás exposto? Tens que voltar a sentir isso.

Olha para ti, já alguma vez olhaste ao espelho e disseste que te amavas em voz alta? Eu não acredito que não tenhas essa capacidade, todos nós nascemos com um propósito neste mundo, tu tens de descobrir o teu. Posso falar-te um pouco da minha experiência, eu já senti que tinha o mundo contra mim e que anda fazia sentido. Comecei a sentir o meu humor a variar várias vezes ao dia, foi o primeiro sinal que alguma coisa não estava correta comigo. Olhava-me ao espelho e já não via em mim o mesmo brilho no olhar, a mesma chama que contagiava os meus amigos ou a mesma paixão que demonstrava ao falar dos temas que gosto. Com o tempo isso tudo foi desaparecendo dando apenas lugar a um vazio silencioso.

Lentamente fui-me afastando das pessoas, não tinha vontade de sair da cama, de me arranjar, realizar a minha higiene pessoal, sentia um grande peso na minha cabeça que me impedia de realizar as tarefas mais simples do meu quotidiano. Não te vou negar que quando contraditava isso me sentia pior, não era a mesma coisa, por muito mais que os meus amigos insistissem comigo eu não reagia e negava estar na companhia deles sempre inventando desculpas como: “Hoje não posso desculpa”; “Estou cansado”; “Não quero sair de casa, não tenho vontade de sair”. Quem te conhece diariamente e lida contigo todos os dias sabe perfeitamente que as tuas palavras são uma grande mentira.

Sei perfeitamente pelo que estás a passar, eu costumava isolar-me do mundo, apenas me restringia ao meu quarto e as restantes divisões da minha casa, não conseguia sair de casa, provocava-me pânico e medo. Já senti medo das pessoas e de não me querer aproximar delas, sentia que me iam rejeitar.

A minha personalidade tímida e baixa autoestima também contribuíram para isso, por momentos perdi o interesse nas atividades que mais prazer me davam, como: ir ao ginásio, aos ensaios do meu grupo de teatro, estar com os meus amigos, ir à faculdade. Sentia-me frustrado também porque o meu esforço não estava a compensar e decidi fazer do meu quarto o meu refúgio.

Mas não podia viver assim para sempre, decidi procurar ajuda e andei em consultas com uma psicóloga e um psiquiatra e cheguei a tomar medicação na esperança que algo melhorasse na minha vida, mas, não estava a resultar e eu estava cada vez pior. As discussões com os meus pais e amigos eram frequentes. Mesmo quando fazia um esforço para sair com eles, apenas o meu corpo estava presente, o meu EU não estava lá. Andei assim durante algum tempo, fruto de uma crise existencial que mais tarde se desenvolveu para depressão o que me levou à solidão.

Olhava para o mundo e para mim de uma forma bastante negativa, pensava em tudo e mais alguma coisa para por termo ao meu sofrimento, mas, ao mesmo tempo cometer tal ato egoísta será que resultava?

A dor era imensa e eu já não a suportava mais, apesar de ouvir elogios na minha mente os mesmos eram fruto da simpatia e condescendência dos outros. Eu era uma marioneta das minhas inseguranças e baixa autoestima, quando me olhava ao espelho, os meus olhos viam uma pessoa desinteressante. Os dias para mim eram sempre tempestades, uma guerra que tinha que enfrentar todos os dias, um enorme peso na cabeça e um ar triste e quase sem reação.

A determinada altura e inconscientemente deixei de tomar a medicação e decidi fazer um esforço para largar tudo o que me prejudicava. Comecei a concentrar-me mais em mim e no que queria para a minha vida, deixei de procurar obter a perfeição que tanto desejava e que me deixava frustrado. Voltei a concentrar-me nas coisas que gostava de fazer: ouvir música, ler, escrever, o teatro tudo isto me ajudou de certa forma a ultrapassar esta dor.

Posso não ser a melhor pessoa para te aconselhar, mas compreendo bem a tua dor, e até posso adivinhar o motivo pelo qual te isolas, mas isso não é solução. Tens que amar primeiro antes de amares os outros, tens que ser a pessoa que sempre sonhaste e espalhar o teu brilho com aqueles que gostam de ti. Nesses momentos, quando te sentires assim liga a um amigo, marca um café num local que gostes e fala, envolve-te em atividades que gostes, viaja, faz voluntariado, tens tantas hipóteses neste mundo para seres feliz, não deixes que a solidão te engula. Sei que atualmente vivemos numa sociedade um pouco materialista, superficial entre outros adjetivos que não vou mencionar, mas de certeza que conheces pessoas que são como tu, e, é nelas que te tens de apoiar.

Arrisca na tua felicidade e não te isoles, tens um leque de oportunidades à tua espera, não deixes que os sonhos passem por ti.

Este foi o meu testemunho, um pouco diferente do habitual, mas espero que te ajude a encontrar a resposta que eu sei que tens dentro de ti.

 

 

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