O reaparecimento da Legionella

O surto da Legionella está a progredir novamente. O número de pessoas infetadas subiu para 54, segundo a Direção Geral da Saúde.

O assunto relativo à Legionella volta a surgir em sequência do caso que ocorreu no Hospital S. Francisco Xavier, em Lisboa, no dia 31 de outubro.
O início da epidemia surge, confirmado pela DGS e pelo Instituto Ricardo Jorge, devido à reativação de uma das torres de refrigeração do hospital que continha esta bactéria.

“Conclui-se, com elevada probabilidade, que a fonte da infeção estará no perímetro do hospital.” – Graça Freitas, Diretora Geral da Saúde, 15 de Novembro.

Ao que tudo indica, as vítimas poderão ter direito a indemnizações, por parte da empresa responsável, pela manutenção das quatro torres de refrigeração do Hospital S. Francisco Xavier.

A bactéria, até agora, causou a morte de cinco pessoas. A maioria dos infetados, desde 31 de outubro, permanecem internados.
Estima-se, pelo balanço realizado da DGS, que somente 14 doentes tiveram alta e que todos os doentes têm historial de doenças crónicas, ou associados a fatores de risco.

Legionella, o que é?

A doença do legionário é provocada por bactérias do género Legionella que vivem, naturalmente, em ambientes aquáticos. Ao hospedar-se nos pulmões pode provocar uma pneumonia grave e ser fatal. Na maior parte dos casos, se a intervenção for a tempo, a doença é tratada com antibióticos.
A forma de transmissão dá-se por via aérea, através da inalação de gotículas de águas contaminadas com a bactéria. Ao contrário do que se possa pensar, a Legionella não se transmite através da ingestão de água contaminada, nem de pessoa para pessoa.
Os principais sintomas da doença são comparáveis aos de uma gripe:  febre alta, tosse, expetoração (eventualmente com sangue), dificuldade respiratória, dores de cabeça, etc.

Legionella de 2014 em Portugal

Há três anos atrás (entre os dias 7 e 21 de novembro) o concelho de Vila Franca de Xira, no distrito de Lisboa, foi afetado pela bactéria. Resultou em 12 mortes. O número de infetados chegou aos 375.
Foi considerado o segundo maior surto de Legionella à escala mundial. De acordo com o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças, este caso só é antecedido pelo Reino Unido com um total de 494 infetados e sete mortos, em 2002.

O surto relacionou-se, igualmente, com uma torre de refrigeração da empresa Adubos de Portugal, situada na freguesia Forte da Casa, facto revelado pelo antigo Ministro do Ambiente, Jorge Moreira da Silva.
A Organização Mundial de Saúde classificou ainda este acontecimento como uma “grande emergência de saúde pública”, caracterizando a epidemia como “incomum e inesperada”.
Após três anos, as vítimas da Legionella de Vila Franca de Xira processaram o Estado.

A prevenção da contaminação da bactéria em território nacional vai ser alvo de debate no próximo plenário do parlamento, no dia 7 de dezembro.
O projeto, proposto pelo Bloco de Esquerda, tem como finalidade o reforço da prevenção da Legionella em espaços interiores e exteriores. Isto inclui a obrigação de auditorias de modo a avaliar a qualidade do ar interior em edifícios com climatização que, até às alterações em 2013, eram de dois em dois anos.

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