Uma bandeira nacional invisível ao microscópio

Uma equipa de investigadores da Universidade Nova de Lisboa (UNL) criou uma bandeira portuguesa a partir de nanopartículas. Esta bandeira será capa da revista internacional de química ChemistryOpen.

A descoberta ocorreu há cerca de 2 anos no laboratório do Bioscope, um departamento da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UNL, enquanto os cientistas analisavam algumas reações químicas de feixes de luzes com uma lâmpada ultravioleta. Depararam-se com uma esfera, designada por nanopartícula, repartida por uma luz vermelha e uma outra verde.

A nanopartícula é dividida ao meio – uma metade de prata e a outra de ouro – e cada uma delas emite uma cor, graças aos seus compostos químicos associados. A luz verde corresponde à área de prata (fluoresceína) e a luz vermelha à área de ouro (rodamina). Estes dois compostos químicos podem ser associados a uma molécula-alvo (ex. fármaco). Caso haja uma libertação dessa molécula-alvo por parte de uma célula, serão acionadas as luzes vermelha e verde para detetar essa reação química e identificar em que zonas ocorreu. Apenas cada uma delas pode desempenhar uma destas duas funções.

No entanto, estas cores não são usadas durante os processos de investigação por mero acaso, o contraste entre a luz verde e a luz vermelha permite uma maior nitidez e distinção na análise de reações nas células. As luzes vermelha e verde funcionam como “sondas” fluorescentes, isto é, detetam moléculas que absorvem e emitem estas luzes a um determinado comprimento de onda.

A ilustração da bandeira portuguesa não se trata de uma só nanopartícula. Os cientistas aproveitaram as propriedades criadas pelas “sondas” e técnicas utilizadas em laboratório para realizar uma montagem que deu origem à bandeira de Portugal. Existiram vários procedimentos como a espectroscopia de infravermelhos (possibilita observar a ligação das moléculas à superfície das nanopartículas), a microscopia eletrónica de transmissão (determina o centro metálico das nanopartículas) ou a difração dos raios X em pó (determina a percentagem dos elementos químicos na amostra). Portanto, não há um microscópio específico que permita ver na integra a bandeira portuguesa.

Uma homenagem invisível a olho nu e até ao microscópio. Apesar desta bandeira ser pequena tal como o país, é uma prova que a ciência e a tecnologia portuguesas são inovadoras e repletas de química.

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