O outro lado da droga – CannaDouro.

No fim de semana de 18 e 19 de novembro, a Alfândega do Porto acolheu a primeira Feira Internacional de Cânhamo (nome atribuído às mais diversas variedades da planta Cannabis) em Portugal. A CannaDouro veio fazer frente ao preconceito social relativamente ao uso desta planta.

O encontro visou o esclarecimento e a desmistificação por detrás do consumo de cannabis nas suas 3 grandes vertentes atuais: o uso Industrial, Medicinal e Recreativo. O uso industrial do cânhamo em território Português, na atualidade, é inexistente. Tal se deve ao estigma ainda associado ao consumo e consequentemente à  comercialização da cannabis e seus derivados.
Já o uso medicinal, apresenta alguma evolução no panorama nacional, sendo cada vez maior o número de portugueses que recorrem ao uso de óleo de CBD – um componente não psicoativo da cannabis.
No entanto, nas vertentes recreativa e terapêutica do cânhamo o cenário é distinto. O denominado uso recreativo e o auto-cultivo de cannabis fazem parte da sociedade atual portuguesa. Tendo-se, gradualmente, tornado presente na sociedade há cerca de 4 décadas. Hoje em dia, o consumo constitui uma realidade transversal a todas as classes socioeconómicas.

O CannaDouro pretendeu, também, tornar acessível informação sobre as potencialidades e faculdades terapêuticas da cannabis, estimulando um debate em torno desta temática e trazer para Portugal empresas internacionais – dos setores da alimentação, a nível do vestuário, cosmética, eco construção, entre outras…

Durante o fim-de-semana decorreram 10 conferências de imprensa destinadas a esclarecer questões como o consumo não problemático de cannabis, “O Futuro Político da Canábis”, bem como a sua relação com a Legislação Portuguesa e o uso radical desta substância.

Segundo o “Relatório Europeu sobre Drogas 2015: Tendências e evoluções”-, elaborado pela agência da UE de informação sobre droga (EMCDDA), Portugal tem uma estimativa de consumo de cannabis de 9,4% do total da população, o que significa que 19,3 milhões de adultos consumiram no último ano e que 1% da população adulta é consumidora diária ou quase diária de cannabis. O que torna a temática das drogas uma realidade bem assente na panorâmica portuguesa. O consumo de substâncias e a sua possível legalização gera uma controvérsia na sociedade portuguesa, dividindo a população em ideologias díspares.

Para melhor se compreender a divisão entre o Sim e o Não à  legalização das drogas, foi efetuada uma pequena colheita de dados sobre o assunto: A amostra é de 40 pessoas, 20 com idades inferiores a 40 ano e outros 20 com idades superiores a 40 anos. A questão colocada foi clara e a resposta de carater fechado (sim ou não) “É a favor da legalização das drogas?- Não foi especificado se as drogas se enquadravam na categoria de pesadas ou leves.

No grupo dos indivíduos com menos de 40 anos, 75% (15 indivíduos) são a favor da legalização; 25% (5 indivíduos) da amostra é contra. No grupo com mais de 40 anos, 55% (11 indivíduos) são a favor e 45% (9 indivíduos) dos inquiridos são contra.

Os movimentos políticos mais à esquerda são mais recetivos à  legalização de substâncias designadas como ilícitas no presente governo português. Mudam-se os tempos, mudam-se as mentalidades e um tema que a muitos repudia (principalmente à  camada mais velha), vai começando a ser encarado com outros olhos e com uma atitude menos pejorativa. Este encontro da CannaDouro veio acentuar a faceta positiva associada à cannabis, faceta essa que escapa a muitos portugueses.

 

 

Representação Gráfica das estatísticas desenvolvidas 1

Representação Gráfica das estatísticas desenvolvidas 2

por: Marlene Pinto

 

 

 

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