“The portuguese prison photo project” – uma exposição, diferentes perspectivas atrás das grades

Dois fotógrafos (Luís Barbosa, português, e Peter Schulthess , suíço), autorizados a entrar nos muros de um estabelecimento prisional acompanhados de câmaras fotográficas, com o objectivo de captar o que está dentro de sete prisões portuguesas: Lisboa, Carregueira, Leiria, Guarda, Izeda, Santa Cruz do Bispo e Viseu.

As suas abordagens traduzem-se em duas perspectivas completamente diferentes, e são complementadas por imagens históricas provenientes dos arquivos estatais. Esta é uma das primeiras produções fotográficas em larga escala, centrada nas prisões nacionais.

Esta exposição histórica e contemporânea decorre num antigo recinto penitenciário histórico que, actualmente, acolhe o Centro Português de Fotografia (CPF), e constitui-se como o local ideal para a realização da exposição. Daniel Fink, professor de História das Prisões na Universidade de Lausanne, desenvolveu o plano da realização de uma exposição fotográfica sobre este tema a par de uma conferência internacional sobre prisões, reunindo as temáticas de história, cultura e fotografia. Juntamente com o Diretor do Centro, Dr. Bernardino Castro, o Presidente da Associação Internacional de Criminologia de Língua Portuguesa e o anterior Diretor da Escola de Criminologia da Universidade do Porto, Prof. Cândido da Agra, Daniel Fink iniciou as atividades para a concretização desta iniciativa.

The Portuguese Prison Photo Project é uma exposição de 150 fotografias apresentadas ao público a partir de 9 de setembro até 3 de dezembro, de uma forma totalmente gratuita. Junta dois olhares sobre as instalações, ritmos e condições de vida tanto de reclusos como de reclusas. As 47 fotografias tiradas por Luís Barbosa (fotógrafo e formador no Instituto Português de Fotografia do Porto) são a preto e branco e privilegiam as atmosferas das celas e dos espaços vividos, assim como a perspectiva dos detidos. Especialista em documentação fotográfica de cariz social e cultural, o seu interesse pela fotografia começou no laboratório ao trabalhar em preto e branco, uma técnica que o fotógrafo ainda privilegia, embora também trabalhe com câmaras digitais.

Uma vez que nunca tinha entrado numa prisão, fiquei bastante satisfeito por poder, ainda que brevemente, penetrar num mundo quase sempre oculto, estando, no entanto, consciente que esta participação acarretaria uma grande carga emocional – Luís Barbosa.

No caso de Peter M. Schulthess – especializado em fotografia de arquitectura, particularmente em prisões -, preferiu uma abordagem documental, institucional, reflectindo um olhar mais distanciado e frio nos enquadramentos, optando pela cor nas 58 imagens apresentadas. Refere, no site oficial do projecto, que a sua primeira experiência fotográfica em contexto prisional ocorreu há 15 anos, na antiga penitenciária de Basel. Esta experiência levou ao desenvolvimento do interesse pela fotografia em estabelecimentos prisionais e correccionais. Desde então, este tornou-se o seu mais duradouro projecto, enquanto fotógrafo e autor.

Este projecto foi um passo para um mundo desconhecido, num país que eu nunca tinha visitado. Por isso questionei-me: o que é que eu vou ver? O que poderei fotografar? O que vou poder mostrar? – Peter Schulthess.

As restantes fotografias apresentadas (capturadas entre 1876 e 1974) e seleccionadas pela Prof. Maria José Moutinho Santos – especialista em história das prisões – são um apontamento intencional de contraponto às imagens contemporâneas. Se estas reflectem dois olhares e duas circunstâncias – as de Peter Schulthess e Luís Barbosa –, as fotos antigas foram a consequência de outros olhares – em contextos políticos, penais e prisionais muito diversos.

Essa diversidade de conteúdos, objectivos e contextos das imagens – de uma inesperada riqueza documental – tornou a minha contribuição neste projecto uma notável experiência pessoal – Maria José Moutinho Santos.

Este projecto visa proporcionar uma visão das prisões contemporâneas portuguesas: desde a maior e mais antiga (que data da década de 1880) à mais recente – que abriu as portas em 2004 -, e não só através da fotografia, mas também através de dados relativos às prisões no país e de uma conferência sobre o tema.

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