Quando o sonho se transforma num inferno

Migrantes africanos veem as promessas dos atravessadores como a conquista de uma vida melhor na Europa. A base naval de Trípoli, na Líbia, é o ponto de partida para um futuro promissor que, na maioria das vezes, nem chega a começar.

A base naval, que é vista por muitos como o ponto de partida para algo melhor, é na verdade uma base de tráfico humano, onde aqueles que anseiam pela chegada ao continente europeu são vendidos como escravos.

“Oitocentos dinares! Mil dinares! Mil e cem dinares! Quem dá mais?” Por 1.200 dinares líbios”, o negócio é finalmente fechado. É vendido um grupo de jovens oriundos da África Subsaariana.

Apesar deste ser um processo que passa muitas vezes despercebido, nas últimas semanas chegaram à CNN, imagens de verdadeiros mercados de escravos. Tais imagens vieram confirmar o que os governos locais e ONGs já denunciavam há meses: a tortura e escravidão de migrantes africanos na Líbia. António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, diz que a ONU se sente horrorizada perante tal situação.

Segundo Othman Belbeisi, chefe da missão da ONU na Líbia, os migrantes passam até três meses detidos e explorados por milícias em calabouços na Líbia, e que o principal problema é o facto destes migrantes não possuírem qualquer tipo de documento identificativo, uma vez que entram no país através de fronteiras não oficiais, tornando-se completamente dependentes dos atravessadores, caso o dinheiro do seu resgate não for pago, são vendidos.
Os dados da OIM são claros. Este ano, houve mais de 160 mil migrantes que chegaram à Europa através do Mediterrâneo. Estimativas de funcionários da ONU na Líbia apontam que outras centenas de milhares aguardam a travessia para a Europa.

Apesar da falta de informação, a população luta pelo fim deste fenómeno. Nas últimas semanas foram feitos protestos contra a escravidão de migrantes em diversos lugares do mundo, como Marrocos, França, Itália e Senegal.

Nos dias de hoje, vive-se uma escravatura moderna desde o trabalho (cerca de 25 milhões de pessoas) ao casamento (cerca de 15 milhões de pessoas) forçados.

A Líbia e o seu povo precisam de um novo rumo. De um novo futuro.

Créditos da Imagem: Reuters

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