É oficial: Centeno é candidato à presidência do Eurogrupo

Na mesma semana em que o Orçamento do Estado para o próximo ano teve a aprovação final, o Ministro das Finanças apresentou a sua candidatura para a presidência do Eurogrupo, o orgão informal que reúne mensalmente os ministros das Finanças da Zona Euro. 

Mário Centeno está oficialmente na corrida para a liderança do Eurogrupo. Foi na passada quinta-feira, através de um comunicado oficial, que a candidatura do Ministro das Finanças foi formalizada, colocando um ponto final na especulação existente nos últimos meses.

Centeno conta com o apoio do Primeiro-Ministro António Costa que, nos últimos dias, esteve em contacto com diversos representantes e chefes de estado europeus pertencentes ao Partido Europeu Socialista e Partido Popular Europeu na tentativa de reunir um consenso na votação do ministro português e no sentido de colocar Centeno como o único candidato apoiado por estes dois Partidos. O Ministro português tem o apoio consensual de praticamente todos os executivos dos Estados-Membros que pertencem ao PES e ao PPE, à excepção da Eslováquia e da Letónia, que apresentaram os respetivos ministros como candidatos a Bruxelas. A Chanceler Alemã Angela Merkel, o Presidente Espanhol Mariano Rajoy e o Presidente Francês Emmanuel Macron também manifestaram o apoio a Mário Centeno e são peças fundamentais para a eleição do ministro português que o colocam como o principal candidato à Presidência do Grupo.

Mário Centeno tem 50 anos, é natural de Olhão, Algarve e é Ministro das Finanças desde 2015. É licenciado em Economia pelo ISEG em Lisboa e Doutorado, também em Economia, pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

O que é o Eurogrupo?

O Eurogrupo é um orgão informal que reúne de formal mensal os ministros das Finanças dos Estados-Membros da Zona Euro. O Grupo tem 19 membros e é atualmente presidido pelo Ministro das Finanças Holandês Jeroen Dijsselbloem, que assumiu o cargo em 2013 e tem a sua saída prevista para Janeiro do próximo ano, altura que é oficialmente eleito um novo Presidente.

Nas reuniões debate-se as responsabilidades e políticas económicas, assuntos relacionados com o euro e o crescimento económico da Zona Euro e é também responsável pela preparação das reuniões da Cimeira do Euro.

O que significa a eleição de Centeno para Portugal e a Europa

Caso Centeno seja escolhido para a Presidência do Eurogrupo isso pode representar, desde logo, um voto de confiança no trabalho que tem sido efetuado pelo Ministro das Finanças português no crescimento económico de Portugal nos últimos anos e que se quer traduzida na Zona Euro. Mário Centeno irá, pelo menos até ao final da legislatura em 2019, continuar como Ministro das Finanças. Para já, o exercício da função de Presidente do Eurogrupo pode ser acumulado ao mesmo tempo com o cargo de Ministro das Finanças. Uma mudança dos estatutos poderá estar a caminho, mas só após as eleições europeias em Maio de 2019, quando a União Europeia decidir se o o mandato de Presidente do Grupo passará a ser exclusivo ou não.

No panorama europeu, se for eleito, Centeno irá liderar o Eurogrupo num período de decisões importantes na Zona Euro e num momento onde não existe nenhum país numa crise económica grave. A reforma da moeda única será a grande missão do ministro português e poderá trazer mudanças radicais ao cenário europeu, como a criação do cargo de Ministro das Finanças Europeus, com poder para influenciar as políticas orçamentais de cada país. E apesar de ter o apoio dos Chefes de Estado da França e Alemanha, Macron e Merkel tem duas visões diferentes no que toca à reforma, e caberá a Centeno conseguir criar um consenso e satisfazer as duas partes. O alívio da dívida pública da Grécia será também algo com que o ministro português irá ter de lidar.

Internamente, Mário Centeno não tem nenhum apoio partidário à sua candidatura para além do Partido Socialista. Os parceiros do Governo consideram que não há relevância na candidatura de Centeno e que não traz qualquer beneficio para Portugal. O PCP vai mais longe e considera que não é possível manter um equilíbrio entre os interesses de Portugal e os da União Europeia. Da parte da oposição, Assunção Cristas, líder do CDS considera que ter um português num cargo europeu tão importante é relevante mas que isso pode prejudicar os interesses de Portugal, pois um Ministro das Finanças deve ter em consideração, acima de tudo, os interesses do país. O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, partiu do mesmo pressuposto e revelou que os apoios à candidatura são “motivo de alegria” mas defendeu que “o cargo de ministro das Finanças de Portugal é mais importante do que o cargo de presidente do Eurogrupo”.

 

Os concorrentes de Mário Centeno 

O Ministro português enfrenta a concorrência de mais 3 Ministros: do Luxemburgo, Eslováquia e da Letónia.

Pierre Gramegna (Luxemburgo): Pierre Gramegna tem 59 anos e é Ministro das Finanças desde 2013. O Luxemburguês é, a par de Centeno, o favorito ao cargo, tendo assumido o seu interesse em Outubro deste ano. Já foi Ministro dos Negócios Estrangeiros e é visto como um homem experiente mas o fato de o Luxemburgo já ter Jean-Claude Juncker como Presidente da Comissão Europeia pode prejudicar Gramegna, visto que a probabilidade de um país pequeno ter dois dirigentes nos mais altos cargos da União Europeia é pequena.

Dana Reizniece-Ozola (Letónia): A Ministra Letã é a única mulher na corrida ao Eurogrupo. Dana Reizniece-Ozola tem 36 anos e assumiu a pasta das finanças em 2016 e já pertenceu à Comissão de Assuntos Europeus. Foi, durante vários anos, campeã em vários campeonatos de xadrez, tendo por uma ocasião batido a campeã mundial, já após assumir o cargo no executivo.

Peter Kazimir (Eslováquia): Peter Kazimir tem 49 anos e é Ministro Eslovaco desde 2012. Já tinha sido secretário de estado das Finanças entre 2006 e 2010. O fato de ser um socialista conservador, tal como o atual Presidente, faz de Kazimir um candidato sério ao cargo, já que é visto como um sucessor natural e capaz de presidir da mesma forma que Dijsselbloem.

 

A eleição do sucessor de Jeroem Dijsselbloem para assumir a Presidência do Eurogrupo está marcada para segunda-feira, 4 de Dezembro, em Bruxelas.

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