Cerimónia dos Prémios Nobel ensombrada por escândalos de Jean-Claude Arnault

São pelos menos 18 mulheres que apresentaram queixa por assédio sexual contra Jean-Claude Arnault, fotógrafo e diretor artístico francês. Para além das acusações de assédio, é suspeito da fuga de informação sobre os vencedores do prémio Nobel da Literatura.

Durante uma entrevista, David Lagercratz, autor da saga Millenium, comentou as fugas de informação que envolveram os prémios atribuídos a Patrick Modiano (2014), Jean Marie Gustave le Clezio (2008) e Harold Pinter (2005). O escritor afirmou que Jean-Claude Arnault era “Uma pessoa que tinha uma profunda ligação com a Academia Sueca, casada com um dos membros, sabemos agora que ele, durante décadas, terá assediado e até talvez violado mulheres. Mas agora descobrirmos que não foi isso que ele fez. Também divulgou informação sobre futuros vencedores do Nobel.”

Numa conferência de imprensa, o vencedor deste ano, Kazuo Ishiguro, desvalorizou a fuga de informação para focar-se num problema que ganhou recentemente uma dimensão global. “Estou perfeitamente convencido de que a integração da Academia Sueca e Fundação Nobel não foi comprometida por isto. Penso que o foco principal, como em todo o mundo, tem de ser o assédio sexual cometido por homens poderosos.”

No museu de Nobel, em Estocolmo, existem vitrines reservadas para o espólio que Ishiguro vai entregar. Situado na zona mais antiga da cidade, foi fundada em 2001, três anos após a entrega do Nobel de Literatura a José Saramago. O escritor português está em destaque na semana mais atribulada do museu. “Nesta exposição em particular, ele é colocado num contexto de rebeldia literária, que é o nome desta exposição temporária, em que salientamos autores que, de algum modo, tiveram uma ação de insurgência, através das palavras, ou da sua escrita, que foram algo incendiários, e as pessoas repararam nisso.”, declarou Olof Somell, curador do museu do Nobel.

Lagercratz dificilmente ganhará um Nobel. A escrita policial não é favorita nos prémios, mas não falta rebeldia ao escritor de 55 anos, antigo jornalista e crítico acérrimo dos que têm o poder de escolher de quem vence o Nobel de Literatura. “Toda a Academia é tão antiquada. Há membros permanentes e eles recrutam pessoas iguais a eles.”. Ao ser questionado sobre se estes elementos se comportam como um clube privado e secreto, Lagercratz responde “Sim, acho que é uma excelente descrição.”

Está a ser a cabo de uma investigação que envolvem todos os 18 membros da Academia Sueca. Arnault e a mulher, poeta e membro da Academia, desde 1992, não estavam presentes na cerimónia que se realizou, neste domingo.

Apenas o Nobel da Paz será entregue em Oslo, capital da Noruega, com transmissão em direto a partir do museu do Nobel.

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