Robert Mapplethorpe, uma marca no género e na sexualidade.

Ainda sem título, a exposição de Robert Mapplethorpe estará exposta em Serralves a 20 de Setembro. Nesta exposição podemos esperar uma retrospetiva do trabalho do fotógrafo (1946-1989), que metamorfoseou a imagem, a sexualidade e o género.

Autorretrato de Robert Mapplethorpe, 1980

 

É a primeira vez que uma instituição museológica portuguesa dedica os seus espaços para receber o trabalho de Robert Mapplethorpe, uma das mais influentes figuras do panorama fotográfico do século XX.

João Ribas é o comissário por detrás desta iniciativa que a par com a Fundação Robert Mapplethorpe (Nova York), fará com que cheguem a Serralves, cerca de 170 fotografias e objetos do artista. Desde as suas obras de inicio de carreira, colagens e esculturas até às suas icónicas imagens a preto e ainda dois filmes que produziu com Patti Smith – musa, namorada e cantora.

A exposição não será uma adaptação da grande exposição “Robert Mapplethorphe: The Perfect Medium” (feita por várias instituições culturais). Esta exposição será feita de raiz em Portugal, onde Serralves já definiu que irá prescindir de quatro salas e de um corredor.

Mapplethorpe é mais que um marco artístico, este fotografo revolucionou a ideia de género e de sexualidade, característica que Serralves considera fundamental transmitir aos visitantes da exposição. Como explica o atual diretor-adjunto do Museu de Serralves, “a ideia é fazer pela primeira vez em Portugal uma grande exposição da obra deste grande artista do século XX. Não só focada no seu contributo como fotógrafo, mas também, particularmente, nas questões da sexualidade e do género. É um artista em que o seu trabalho mostra uma relação com a comunidade homossexual dos Estados Unidos. Morreu de sida e a sua própria vida está envolvida nesta história. Em todo o seu trabalho há essa relação contextual”.

Serralves preocupa-se em mostrar esta dimensão ligada à questão da representação da comunidade homossexual, defendendo que este artista já refletia numa sexualidade humana não normalizada, por exemplo, na sua obra “X Portfolio“, que data a 1978 e onde Mapplethorpe explora o mundo sadomasoquista gay.

O mundo à nossa volta, diz o curador, está longe de ter uma dimensão heteronormativa como, muitas vezes, se vê nos museus. “Estamos no meio de uma grande produção de novas linguagens, de novas identidades e sexualidade. Os museus têm a responsabilidade de refletir a contemporaneidade e a história dessa revolução do género, acompanhando essa evolução.”

Se para a cultura heteronormativa as obras de Mapplethorpe eram quase encaradas como criminais, para o artista eram uma forma de expressar amor, intimidade e liberdade sexual.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Deixa um comentário