Quando a sustentabilidade se torna o assunto do dia

Sustentabilidade é um termo usado para definir ações e atividades humanas que visam suprir as necessidades atuais dos seres humanos, sem comprometer o futuro das próximas gerações. Está diretamente relacionada com o desenvolvimento económico e material, sem agredir o meio ambiente, usando os recursos naturais de forma a conseguir a sua continuação. Com a objectiva de todas as lentes precisamente nas gerações futuras, os alunos de mestrado em higiene e segurança nas organizações formaram aquela que foi uma sessão esclarecedora para todos aqueles que se preocupam com a sustentabilidade.

A adoção de ações de sustentabilidade garante, a médio e longo prazo, um planeta em boas condições para o desenvolvimento das diversas formas de vida, inclusive a humana; garante os recursos naturais necessários para as próximas gerações, possibilitando a manutenção dos recursos naturais. Como só da discussão deste tema não se cria a mudança, estes alunos da Escola Superior de Saúde do Porto, no decorrer da organização do evento, foram fiéis ao que defendiam: deram um novo alento a objetos que, para outros, era já lixo. Desde garrafas já utilizadas de plástico, recurso a água da torneira ou até, no decorrer do coffee break, optar por alimentos que já estavam estilhaçados.

Joana Fernandes, aluna de mestrado em higiene e segurança no trabalho das organizações, teve o seguinte a dizer:

Esta iniciativa surgiu no âmbito da unidade curricular de Sustentabilidade, e juntamente com a professora decidimos realizar as jornadas (…). A importância é a todos os níveis: devíamos olhar para a sustentabilidade cada vez mais como uma prioridade, como pequenos gestos da nossa vida. Mas também, como futuros técnicos de seguranças, incutir aos alunos ideias para que possam aplicar na prática.

No Primeiro Grande Inquérito sobre Sustentabilidade em Portugal, realizado a setembro de 2016, educação, turismo e energias renováveis foram apontados pelos portuguesxs como os sectores mais competitivos e cruciais para o desenvolvimento do país. Para o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, “(…) este tipo de trabalho não é só um retrato do país, é um catalisador do futuro dos portuguesxs. Temos de complementar a perspetiva económico-financeira com uma perspectiva sociocultural, permanentemente. É da simbiose das duas que resulta aquilo que precisa o país.”

A população portuguesa coloca no topo das suas preocupações os incêndios florestais (46%), o excesso de lixo (34%) e a poluição do mar, praias e oceanos (30%). De acordo com o estudo, liderado pelas sociólogas Luísa Schmidt e Mónica Truninger – investigadora do ICS-ULisboa -, também aqui os resultados evidenciaram uma demarcação geracional, espelhada pelo posicionamento que xs portuguesxs têm em relação aos problemas ambientais: a preocupação com os incêndios alarga-se a ambas as gerações; no caso das alterações climáticas, são os jovens quem se mostram mais preocupados, ao passo que xs portuguesxs com mais de 55 anos valorizam, sobretudo, o problema da escassez de água e do excesso de lixo produzido.

Ainda de acordo com os resultados deste inquérito, a maior parte dxs portuguesxs (73%) já ouviu falar sobre sustentabilidade, sendo os media o meio privilegiado de acesso a esta temática. São as gerações mais velhas, menos escolarizadas e residentes em meios rurais, que afirmam não conhecer o termo. Para o aumento do consumo responsável, xs portuguesxs acreditam que é preciso promover a produção e o comércio de proximidade, e apostar em mais informação, quer através da rotulagem dos produtos, quer através de campanhas para ajudar à mudança dos padrões de consumo. A Escola Superior de Saúde do Porto toma como sua a responsabilidade de ser e levar a cabo um projeto inovador de inclusão de todos os seus alunos para a formação e alterações de comportamento que tendem a trazer degradação ao nosso planeta. Sendo este um desafio com cada vez mais tendência a ocupar as mesas de discussão das empresas de grande dimensão portuguesas, Lipor, SONAE e BCSD Portugal foram abordadas para discutir a temática.

Beatriz Gomes, licenciada em Saúde Ambiental e aluna de mestrado em higiene e segurança no trabalho das organizações, também se pronunciou sobre a iniciativa:

Queríamos divulgar o tema da sustentabilidade e também o nosso mestrado, para as pessoas perceberem a nossa importância e as áreas que trabalhamos. (…) Desde a Revolução Industrial, houve um boom de produção sem qualquer tipo de consciência ambiental, e estas atividades têm no fundo um carácter de alteração de comportamentos das empresas. (…) É impensável continuar a comportarmo-nos como nos temos comportado se queremos ter um futuro assegurado para as próximas gerações.

 

Portugal, enquanto destino turístico de qualidade, alicerça a sua vantagem competitiva nos princípios de sustentabilidade, na oferta diversificada e na valorização das suas características distintivas e inovadoras, colocando as pessoas no centro da sua estratégia. A visão que foi definida nesse contexto é muito clara e passa por afirmar o turismo como hub para o desenvolvimento económico, social e ambiental em todo o território, posicionando Portugal como um dos destinos turísticos mais competitivos e sustentáveis do mundo.

Neste contexto e no plano ambiental, os objectivos passam por garantir que 9 em cada 10 empresas do país adotem medidas de gestão eficiente de energia, água e resíduos. A implementação do plano de ação para atingir estas metas será acompanhada de um esforço redobrado em termos de monitorização da sustentabilidade dos destinos, permitindo a avaliação das políticas e dotar o setor privado de instrumentos para as tomadas de decisões. E como a natureza fornece todo o tipo de instrumentos para o sucesso, a segunda parte desta jornada foi dedicada àqueles que fazem da sua profissão a preocupação pelo amanhã de todos.

Simão Bolivar, criador da empresa “Simão feito à mão”, é artesão desde sempre e marcou presença no evento pelo seu trabalho inovador feito através de material cortante que tinha como destino o lixo.

O trabalho que venho mostrar surgiu em 2007 mas é algo que fiz toda a minha vida (…) trabalhos manuais (…). No Brasil o meu pai trabalhava com teatro de marionetas (…) e todo este imaginário existe desde que sou criança. É claro que as coisas não tinham as características que têm hoje, mas eu hoje sou artesão profissional e faço isso como atividade profissional.

Com formação académica em Geologia, quando veio tentar a sua sorte em Portugal, já o período de crise estava em marcha. Ocupou-se então de reinventar a sua vida e de lhe dar uma volta inesperada.

As primeiras peças que fiz foi por prenda (…) comecei a vender numa loja de artesanato do Porto (…) e comecei a criar nesse verão de 2007. Em 2012 adquiri a carteira de profissional. Até 2009, eu só vendia com contacto direto com o público (…) entretanto, as pessoas queriam fazer oficinas e workshops. Nesta altura, a crise estava instalada, e vi aí uma oportunidade. Faço brinquedos com materiais reutilizados, mas comecei a desenvolver as primeiras oficinas para crianças (…) com cartão, plásticos, materiais menos perigosos.

Em relação à realização deste evento, o artesão é muito conciso.

Nem sempre se conseguem transmitir as ideias deste produto (…) por detrás do produto, e neste evento, tenho espaço para explicar as ideias por detrás dos brinquedos. Ainda não é mito comum este tipo de conferências, às vezes não atinge o público… Acredito que quem vem assistir fica com uma perspetiva diferenciada.

YogurtNest foi outro projeto de empreendedorismo aliado ao tema da sustentabilidade que o #infomedia teve oportunidade de conhecer; desenvolvido por Ana Jervis, esta apresentou na palestra o projeto, que se serve das propriedades da cortiça. Amante de iogurte, precisava de melhores soluções para combater a dispendiosidade que, às vezes, se relaciona com a produção de alimentos caseiros e biológicos. Como resposta ao problema da avultada energia eléctrica necessária, foi devolvido um produto baseado no isolamento térmico através da cortiça e têxtil portuguesxs.

Estamos ligados pelo nosso passado pessoal e profissional (…) porque já trabalhamos em biologia e educação ambiental (…) queríamos criar uma forma mais sustentável para viver, e comunicar isso aos outros.

“Pretendemos que tenha uma baixa pegada ecológica tanto na produção como para o cliente que vai usar (…) ao mesmo tempo mais interesse pelo que cada pessoa faz. Pelos alimentos que come (…) pelos ingredientes biológicos (…) ao gosto da pessoa.”

“Estamos no mercado português porque tivemos um atraso nas vendas, mas temos pedidos para o internacional. Temos um revendedor na Bélgica e outro na Finlândia (…) vamos partir para a internacionalização até porque temos o Projeto Portugal 2020 que está aprovado (…) O objetivo é espalhar o YougurtNest não é só deixá-lo cá em Portugal (…) Estamos em expansão.”

Para nós, a sustentabilidade é muito importante. Sustentabilidade e regeneração (…) Vem de dentro para fora, ou seja, todas as nossas experiências e princípios foram aplicados. (…) Há muitos outros pormenores por detrás deste saco bonito (…) Há milhares de embalagens de plástico de iogurte que vão parar a sítios que não deviam estar (…) Há muitas que vão parar ao mar (…) E entram na nossa cadeia alimentar.

“ Vamos fazendo a nossa cota parte. Fizemos muitas visitas guiadas no rio, na praia (…) formações a adultos e crianças (…).”

A sustentabilidade foi a ordem do dia e será, no futuro, a solução do amanhã.

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