Estamos sempre bem-dispostos

Começo a achar que o único vício desculpável, que até chega a ser motivo de regozijo português, é a quantidade de café que cada um bebe por dia.
-Já bebi 5 cafés hoje e ainda não estou suficientemente desperto, queres ir tomar outro?
-Vamos, mas andas fraquinho.. já tomei 8 desde que acordei.
É uma competição engraçada de se ver que ajuda a medir algo que ainda não percebi realmente.

Acordei bem-disposto.
Ora, acordo sempre com alta disposição para algo, nem que seja para voltar a dormir.
No dia em que acordar sem disposição é o dia em que terei de me dirigir a um Bazar e comprar uma corda. Ou, no caso extremo de disposição nula, induzir uma colher pela garganta.
Hoje, então, acordei com uma disposição enorme para agradecer a quem nunca agradeci.
Primeiro, a quem me aborda, enquanto fumo um cigarro, e me alerta para os malefícios do tabaco. É este tipo de informação útil que eu tenho de começar a procurar no meu dia a dia. Pensava eu que um bebé com uma chupeta e um cigarro ou a imagem do orifício na laringe que, constantemente, aparecem nos maços de tabaco fossem publicidade à peste negra, mas nunca é tarde para aprender.
Segundo, a todos e todas que têm a mania de recorrer a este pleonasmo numa espécie de superioridade moral e abertura de espírito . Desconfio sempre de quem tem um cuidado exacerbado para não ser tido em conta como preconceituoso; há uma certa mística de crimonoso que se desculpa ao ter feito uma obra de caridade nessas pessoas.
Não me preocupo em ter esse tipo de cuidado, porque, no fundo, sou uma besta com todos. E todas, desculpem.
Começo a achar que o único vício desculpável, que até chega a ser motivo de regozijo português, é a quantidade de café que cada um bebe por dia.
-Já bebi 5 cafés hoje e ainda não estou suficientemente desperto, queres ir tomar outro?
-Vamos, mas andas fraquinho.. já tomei 8 desde que acordei.
É uma competição engraçada de se ver que ajuda a medir algo que ainda não percebi realmente.
Em terceiro e por último (até para ter temas nas próximas crónicas) um breve agradecimento aos protagonistas do programa ”Fugiram de Casa dos Seus Pais” que passou na RTP1.
É sempre bom ver que é possível ter uma boa conversa sem falar e espetar rótulos na vida alheia.

Recomendações:

Um cavalo entra num bar, de David Grossman. – Uma espécie de stand-up em forma de romance.

Anderson .Paak foi confirmado no SuperBock SuperRock. -Nunca é demais ouvir a sua última obra-prima.

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