A Eurovisão está em Portugal. E agora?

O Festival da Eurovisão da Canção é o programa de televisão com mais audiência em todo o mundo, ultrapassando programas globais como a final do Super Bowl e a Champions League.

Quarenta e duas nações europeias e a Austrália competem através de temas originais à conquista do estatuto de melhor tema e interpretação.

O Festival ultrapassa as fronteiras do mundo da música e invade um outro, o mundo político. Uma vertente política que, ao contrário do que a própria organização pretende, divide completamente a Europa. Exemplo da influência política foi a edição de 2017, onde a Ucrânia proibiu a Rússia de participar no concurso.

A economia também participa no Festival. O país vencedor de cada edição tem que fazer os investimentos necessários de forma a garantir o correto funcionamento do certame. Em 2012, por exemplo, o Azerbaijão teve de construir um pavilhão para a realização do evento. Após a vitória lusa, que benefícios irá trazer o certame ao país?

 

E agora?

Após a conquista de Salvador Sobral em Kiev, é notável o impacto que a chegada do Festival Eurovisão da Canção está a ter na capital. Para além das 42 delegações – equipas que acompanham o representante de cada país – que ao todo são constituídas por 1500 pessoas e do mesmo de jornalistas, a organização estima, que durante a semana de 7 a 12 de maio, cheguem 27 mil turistas a Lisboa.

De acordo com uma análise feita esta semana pela eDreams, está previsto que a capital vá receber durante a semana eurovisiva mais 37% de visitantes estrangeiros do que no mesmo período do ano passado, superando o crescimento de 20% registado na edição de 2017 em Kiev. A maioria das reservas são provenientes da França, seguida da Alemanha e Espanha.

Apesar da organização do certame em Portugal ter desde início apresentado como um dos maís baratos da história do certame, tal não compromete a qualidade do concurso europeu e é facilmente justificado pelo facto de Lisboa possuir todas infraestruturas necessárias, não necessitando por isso, de nenhum investimento adicional para o melhoramento da cidade.

Mas o crescimento não é momentâneo. O papel de Portugal na organização do evento é também uma forma de apresentar o país luso ao mundo, abrindo assim portas a novos investimentos. Para além disso, o certame é também uma plataforma de exposição da música portuguesa, já com Ana Moura e Mariza confirmadas como atuações complementares do certame, esta é uma forma de espalhar pelo velho continente um pouco na cultura portuguesa.

De facto, o certame europeu é uma plataforma para partilhar culturas e costumes, conseguindo por isso responder àquilo que a European Broadcasting Union quer que a que Eurovisão se torne: “Uma celebração da Diversidade”

As semifinais da edição de 2018 do Festival Eurovisão da Canção ocorrem dia 8 e 10 de maio e a Grande Final dia 12 de maio, onde Portugal vai ser representado por Cláudia Pascoal com o tema ‘O Jardim’.